15 de Dezembro de 2018


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16/11/2011
Lucia Masini
Um ritual de Natal

Julia, Gabi, Eleonora, Josias, Dora, Carol, Alê, Madá, Luiz, Clara, Bia, Ely


De perto ninguém é normal, como apregoa Caetano Veloso, em sua música Vaca Profana. Ok! Se de perto ninguém é normal, por onde anda essa tal normalidade? Nos compêndios enciclopédicos ou na escuridão da noite, onde todos os gatos são pardos?
Na seção na Boca do Povo, desta quinzena, também abordamos esse tema sugerindo a compreensão do conceito de “normalidade diversificada” pelo enfrentamento à visão medicalizante/patologizante dado aos problemas que nossos pacientes enfrentam. Isso significa dizer que acolhemos suas possibilidades de produções e os auxiliamos na construção de projetos discursivos: quem são eles como falantes, leitores e escritores de uma língua?
Falantes, leitores e escritores que apresentam dificuldades sim, mas que, não por isso, devam se sentir desvitalizados e evitar situações em que são convocados a dizer o que pensam e sentem. Nossas ações clínicas, então, caminham na direção de seus interesses e desejos. Buscamos compreender em que condições de produção discursiva se sentem mais à vontade, mais potentes para daí iniciarmos o processo de reapresentação da oralidade e escrita como objetos culturais de modo que eles se sintam capazes de deles se apropriarem.
Os caminhos são diversos, por vezes sofridos, mas nossas experiências têm mostrado que levam a significativas transformações: estabelecemos um ambiente em que as pessoas possam se reconhecer, se identificar, gostar do que vêem e se potencializar.
Exemplo disso está no que trouxemos para o Linguagem com Pipoca desta quinzena.
Como ritual de final de ano, propusemos a todos nossos pacientes que escolhessem algumas revistinhas da coleção da Turma da Mônica, para dar para uma outra criança. A escolha, no entanto, não era completamente aleatória. Pedimos que cada um imaginasse a criança que receberia o pacote, todas elas moradoras de um abrigo específico, e que se dirigisse a ela, por meio de uma carta, apresentando-se e explicando o porquê do presente.
A escolha das revistas da Turma da Mônica também não foi aleatória. Além de ser uma das primeiras possibilidades de aproximação da criança ao universo da escrita, de modo prazeroso, a maneira como Maurico de Souza aborda a inclusão social merece destaque, respeito e apoio. É com muita simplicidade, delicadeza e ludicidade que ele, em suas histórias, mostra que cegos, cadeirantes, autistas, surdos, dislálicos e também, gordos, agressivos, compulsivos, sujos, loucos, opositores são, sobretudo, crianças que se relacionam sem a marca da patologização em suas vidas e, por isso mesmo, são criativas e felizes.
O resultado está aqui, nas palavras daqueles que sentem ou sentiram na pele o estigma de serem MENOS por terem processos de apreensão do conhecimento DIFERENTES do que se convenciona como correto. O que lemos nas cartas foi a materialização do que buscamos em nosso trabalho: o fortalecimento de modos singulares de agir no mundo. Confiram alguns trechos:


Olá, sejam bem vindos ao mundo dos gibis, onde você imagina as histórias em sua cabeça. Ler é muito bom porque você pode criar ideias como os personagens e imita-los.
Em um dia chuvoso, que não tenha sol, pegue um gibi um livro leia ou escreva, pois quando achar seu livro certo você não ira parar de le-lo.
LER faz bem pois aprende palavras novas e aprende muitas coisas. Boa leitura



Queridas crianças, estamos mandando algumas revistinhas para que possam se divertir e dar boas risadas neste final de ano. Ler faz com que possamos compartilhar leituras com nossos amigos e com que a gente faça novas amizades! Quando lemos, sentimos um incentivo a começar a escrever, e escrever ativa nossa imaginação a viajar por mundos mágicos. Esperamos que vocês gostem destas revistinhas e aproveitem muito a leitura


Você gosta de ler?! Eu não gostava, mas agora, que cresci, aprendi que isso pode ser muito divertido!! Uma dica: você pode procurara textos ou pequenos livros de gêneros que você goste, e começar a ler que vai se interessar logo, e não vai querer parar! Um jeito de começar a ler é com os gibis da Turma da Mônica, pois são muito divertidos e tem bastante desenhos! Ler é uma coisa muito importante, pois você conhece palavras novas, e quando você for escrever, seu texto vai sair bem melhor!


Oi, menininho, está chegando o Natal, você acredita em Papai Noel? É porque ele deixou comigo o seu presente! Quando você lê perto de alguém fica mais gostoso do que ler sozinha. Para falar a verdade de vez em quando eu fico com uma preguiça de ler. mas pode ter certeza que sempre em alguém dá preguiça de fazer alguma coisa. o que o Papai Noel vai te dar é: 3 revistinhas da turma da Mônica. Eu e o Papai Noel esperamos que curta ler as revistinhas.


Oi, menininha, sabe que tem um monte de pessoas que tem preguiça e não gostam de ler?! Pois é uma bobagem, pois ler e escrever é gostoso, divertido, faz você entender o assunto melhor e um monte de outras coisas. Você é diferente de todo o mundo, faça o que bem entender.


Oi, não gosto de ler, mas você é diferente de mim!!! Não durma na aula. ESTUDE.


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