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28/10/2010
Lucia Masini e Carolina Câmara*
Torpedos e blogs: como a escrita pode ser inclusiva

Os mais recentes comerciais de uma operadora de telefonia móvel apresentam o SMS, o popular torpedo, como uma forma prática, direta e inclusiva de comunicação. Há pouco, veiculava na televisão um comercial que mostrava um casal se comunicando por torpedos. No início, vemos a garota digitando em seu celular uma mensagem avisando que está na sorveteria. Como resposta, o garoto pergunta se há lugar para ele. Ela então faz uma declaração de amor: “Pra você, sempre!”. Ao se encontrarem, os telespectadores descobrem que ele é surdo e, por meio da linguagem de sinais, LIBRAS, ele revela sua escolha à namorada, que faz os pedidos ao sorveteiro. Fechando o comercial, a mensagem: “Conectado com torpedos, você se comunica melhor e pode mais”. O curioso dessa propaganda é que seu protagonista é de fato um jovem surdo que afirma viver essas situações em seu cotidiano. O uso de torpedos facilitou sua comunicação com um maior número de pessoas.
Recentemente, dando continuidade a essa campanha, a agência de publicidade que possui a conta da operadora passou a veicular o vídeo que traz as tentativas frustradas de um garoto de oito anos em declarar a uma colega de turma o seu amor por ela. Tentou o bom e tradicional bilhete deixado na carteira, que voou para fora da sala ao primeiro vento, sem que a garota percebesse. Tentou também a estratégia do avião de papel, que desviou da janela pretendida e queimou-se na fiação do poste de luz. Sua última tentativa foi o torpedo, rapidamente recebido por ela e respondido com um olhar curioso em busca do autor da mensagem. Mais uma vez, a mensagem final é a de que o SMS pode ser a chance bem sucedida diante das mensagens que se perderam.
Mensagens que aproximam e que incluem.
Há tempos a internet vem cumprindo esse papel de aproximação e inclusão. Além das redes sociais, os blogs têm assumido posto de grande importância. Exemplos como o do filme Julie & Julia, comentado aqui na seção Linguagem com Pipoca, proliferam em todo o mundo. E o percurso tem sido quase sempre o mesmo. O blog começa como uma espécie de diário online. Rapidamente, se forma uma rede de seguidores, gente que busca identificação com suas necessidades, dúvidas e desejos. Dependendo do tema, o blogueiro se vê na necessidade de mudar o perfil, deixar a pessoalidade extrema de lado para que o blog assuma um caráter mais profissional. E, assim, muitos encontram a possibilidade de trabalho produtivo que a vida real nega por diferentes razões.
Esse é o caso de Carolina, que relata aqui sua experiência com a rede:

“Meu blog, Um sonho a mais não faz mal, foi criado, com a ajuda de minha fonoaudióloga, Lucia Masini, a partir do desejo de contar um pouco sobre a minha vida, a fim de ajudar outras pessoas. Sou portadora de paralisia cerebral, enfrento vários obstáculos para ter uma vida comum, e tenho tido várias vitórias. Essa era a ideia inicial do blog: seria mais ou menos como um diário que as pessoas pudessem ler e comentar.
Começamos então a postar textos falando sobre a minha história. Fui também conhecendo outros tantos blogs, outras pessoas foram entrando no meu e gostando. Com o tempo, fui recebendo mais e mais comentários e ganhando seguidores. E eu também fui me aproximando de pessoas, conhecendo suas histórias, identificando-me com o sofrimento e a coragem de tantos. Isso me fortaleceu a falar mais, a me posicionar diante de diversos assuntos que sabia ter conhecimento de fato. Tenho paralisia cerebral, mas isso não me impediu de me desenvolver, crescer como pessoa, tornar-me uma profissional. Sou psicóloga e continuo minha formação fazendo especialização e supervisão psicanalítica. Fui fazendo contatos com diversas pessoas, até que, um dia, uma delas me pediu para atendê-la via internet. Fiquei p ensando na proposta, como seria isso, e senti que podia ser uma b oa ideia. Assim, passei a atendê-la via Skype. Através desse atendimento, percebi que podia desenvolver um trabalho sério, mesmo à distância.
A partir daí, fui mudando o foco do meu blog. Hoje, escrevo sobre crianças, adolescentes, famílias, tudo que tem a ver com pessoas portadoras de necessidades especiais. E, em meu trabalho como psicóloga, além dos atendimentos, atuo na inclusão social de deficientes em atividades sociais.”

* Carolina Câmara é psicóloga. Quem quiser conhecer mais do trabalho dela, acesse: carolcam.blogspot.com.


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