16 de Dezembro de 2018


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04/08/2011
Claudia Perrotta
Teatro: Sem pensar

Texto: Anya Reiss; Direção: Luiz Villaça

Afinal, a meninada de 12/13 anos ainda é criança? Esta é uma das questões que movimentam o cotidiano da família tipicamente classe média da peça Sem Pensar, que traz no elenco a brilhante atriz Denise Fraga.
Transitando entre humor e drama, é mesmo um programão para o final de semana, em especial para pais e filhos, que têm lotado a plateia do TUCA. É uma diversão a mais observar os olhares e risos cúmplices durante o espetáculo e também os comentários no final – há uma identificação entre aqueles que têm ou tiveram “crianças” nessa idade: desde a primeira cena, em que o grupo de garotas canta e dança no quarto, ao som pop do momento, encantadas com o rapaz de vinte e poucos anos que aluga um dos quartos da casa, até as desavenças patéticas do casal.
Na verdade, em vários momentos ficamos na dúvida sobre quem sofre de imaturidade crônica, se os adultos ou as pré-adolescentes... Sarcásticos e irônicos, presos ao passado, marido e esposa se cutucam o tempo todo, cobram do outro o que não têm capacidade de dar. Neuróticos típicos, repetitivos, oscilam entre tratar a filha como um bebê e exigir-lhe uma condição de compreender e lidar com temas complexos. Aliás, interessante a cena do bombardeio de lições de moral em cima da garota – fica evidente o quanto nos precipitamos nos julgamentos, nossa pressa em discursar, temendo que nossas crianças cometam erros ou atos impensados. Enfim, todas as situações vividas por aquele grupo de pessoas mostram como a convivência diária não tem favorecido, no momento atual, a comunicação e muito menos uma aproximação genuína entre pais e filhos.
Mas o mais interessante é que quem nos oferece esse espelho é uma garota inglesa de apenas 17 anos, Anya Reiss. Ela conta que escreveu a primeira versão em um grupo de dramartugia de Londres, mas que gosta muito mais da versão final: “verdades universais como o perdão, o isolamento, a autodestruição, o crescimento e a diferença entre o que é certo e o que se acha que é certo”. Sobre a montagem aqui no Brasil, diz: “jamais imaginei que em um ano a peça seria montada do outro lado do mundo em um país que eu nunca visitei e cuja língua não conheço uma palavra sequer.” Pois é, e nem precisou para retratar, com ritmo, humor e uma pitada de drama, como vem sendo contraditória a nossa convivência com os jovens.
Não percam – a temporada foi estendida até 02 de outubro!
TUCA - sextas e sábados às 21h30, e domingos às 19h00.


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