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01/10/2009
Jason Gomes
Documentário: PRO DIA NASCER FELIZ

João Jardim

Pro dia nascer feliz, 2º longa de João Jardim, recebeu 11 prêmios nacionais e internacionais, inclusive o prêmio especial do júri no Festival de Gramado 2006, levando 140.000 pessoas ao cinema em 2002.
O “diário de observação da vida do adolescente em seis escolas do Brasil”, como bem define Jardim, foi filmado nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Em cidades, escolas e condições socioeconômicas diferentes, Pro dia nascer feliz nos mostra como os jovens brasileiros se relacionam com um espaço fundamental em suas vidas: a escola, revelando sentimentos de angústia, medo, inquietação e esperança vividos neste ambiente.
O filme evidencia desde a precariedade enfrentada por muitos dos que frequentam escolas públicas, seja de transporte ou de condições de saneamento básico, até o conflito vivido pelos educadores, na tentativa de solucionar problemas de violência sem que isso seja entendido pelos alunos como represália.
Mas, por vezes, a violência é verbal e parte de quem deveria acolher, compreender, incentivar e ter o desejo de ver seus aprendizes superarem suas dificuldades cotidianas: o professor. Vemos um exemplo disso na história de Valéria, 16 anos, moradora de uma das cidades mais pobres do Brasil, Manari/PE. Embora demonstre domínio da escrita ao criar poemas, seus professores duvidam de sua capacidade, atribuindo-lhe notas que não condizem com seu rendimento e, ainda, afirmando que ela "só pode ter copiado de algum lugar".
Como se não bastassem as dificuldades de seu cotidiano, ainda luta contra um estereótipo muito comum no imaginário popular, qual seja, o de que alunos de escola pública e de localidades com precariedade não podem aprender bem, nem se apropriar do uso da escrita.
Seria o mito de que só escreve bem quem domina a língua padrão, característica dos grandes centros urbanos? Mais que mito, isso é preconceito linguístico (já comentado aqui no site) e nossos professores já deviam estar livres disso.
Ainda que com a descrença daqueles que deveriam ser parceiros, Valéria parece ter descoberto na escrita de poemas algo acolhedor e motivador na vida, encontrando, através da poesia, uma forma de contar e elaborar seus sofrimentos.


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