16 de Dezembro de 2018


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10/02/2011
Lucia Masini
Presidente ou Presidenta?

Grande parte dos meios de comunicação decidiu adotar o vocábulo presidente para se referir à Dilma Roussef. A Folha de S. Paulo, por exemplo, em nota publicada no dia 02/01/2011 declarou, segundo seus consultores de Língua Portuguesa, que esse é o termo mais comum e causa menos estranhamento aos seus leitores.
Esta é, por certo, uma argumentação simplista. É evidente que presidente é o termo mais comum. Embora já existam mulheres neste posto em empresas, nunca tivemos uma na presidência do país, o que tornava irrelevante uma discussão sobre a necessidade de se pensar o uso do termo no gênero feminino em larga escala. Quanto ao causar estranhamento, talvez fosse interessante fazer uma rápida pesquisa entre as mulheres brasileiras. Os consultores de Língua Portuguesa do jornal citado poderiam se surpreender com a possibilidade de boa parte delas preferir referir-se à Dilma como presidenta, assim como ela própria que, inclusive, adotou o termo na placa de seu carro.
Recentemente, o Senado foi palco de uma cena que ilustra o embate que se formou em torno dessa questao. Na plenária do dia 08 de fevereiro, o presidente Sarney referiu-se diversas vezes à “Senhora Presidente Dilma Rousseff”. Em um dado momento, a senadora Marta Suplicy o interrompeu, dizendo: “Pela ordem, Senhor Presidente. É Senhora Presidenta Dilma Rousseff”. O presidente do Senado não se curvou à advertência, explicando-lhe: “Muito obrigado à Vossa Excelência, mas eu estou usando a forma francesa ‘madame le président’”. E concluiu: “Todas as duas são corretas, senadora. Gramaticalmente”.
Trata-se menos de gramática e mais de uma questão social e política. Não é a norma gramatical que dita o uso da língua e sim o contrário: a língua se transforma no curso das relações sociais, mais precisamente no jogo de força e poder que nelas se estabelece. Assim, o que está em foco agora não é o que a gramática normativa aponta como o mais ou menos correto ou comum e sim a aceitação, por parte dos formadores de opinião e da população, de uma mulher chegar ao posto máximo de nosso país.

E por esse motivo, nós assumimos: é senhora presidenta, sim senhor!


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