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15/09/2011
Lucia Masini
Olha aí o Enem novamente...

Nesta semana, o Exame Nacional do Ensino Médio foi notícia mais uma vez, porque saiu o ranking 2011 das escolas. Até aí nada de novo: escolas sobem, escolas descem, algumas permanecem nas primeiras posições e os pais se desesperam ao ver o resultado da escola em que seus filhos se encontram.
A novidade parece estar nas farpas públicas que diretores de colégios trocaram para explicar suas pontuações no ranking. Sem muitos pudores, eles expuseram manobras realizadas para garantir as melhores notas e, entre elas, está a seleção dos alunos. O diretor da escola X acusa o da Y de só fazer a prova com seus alunos nota 10 e não com a totalidade deles. Já o diretor da escola Z diz que o da W convida os melhores alunos de outras escolas e de sua própria para frequentarem a que seria a cinco estrelas da corporação.
Mas o mais surpreendente está na declaração da campeã paulista do ranking. Em reportagem a um jornal de grande circulação, ela afirma "estudar" o aluno antes de sua admissão na escola, ou seja, verifica se o ingressante no ensino médio tem competências suficientes para estar naquela escola.
Finalmente, a consequência mais perversa da realização do Enem parece estar vindo à tona: a exclusão educacional. Quando uma escola estuda um adolescente para saber se ele tem competência para frequentá-la, ela está invertendo a lógica do processo de ensino-aprendizagem. Não é mais a escola que está a serviço dos alunos, no sentido de desenvolver suas competências e habilidades para sua construção de conhecimentos, mas é o aluno que está a serviço da escola, garantindo com seu esforço pessoal a melhor posição no ranking.
Podemos falar sem medo de errar na conclusão: as escolas mais bem posicionadas no ENEM podem também ser as mais excludentes. Ao selecionar os "melhores alunos disponíveis no mercado", como saber se elas, no decorrer do processo educacional, agregaram valores à formação desses estudantes? Como saber de suas reais competências de ensinar e lidar com as dificuldades que são inerentes ao processo educacional?
E onde estão os outros alunos que não "nasceram sabendo", que necessitam de uma mediação qualificada, que é o que todo pai espera de uma escola? Nessa lógica perversa que algumas das escolas adotaram para se manter no topo da avaliação nacional, esses estudantes estão do lado de fora ou, pior que isso, estão sendo rotulados de problemáticos, doentes, incapazes.
Não são poucos os pais que têm percebido que, ao selecionarem a melhor escola pelo ranking do ENEM, notam que o filho, antes feliz e saudável, passou a ser taxado de problemático e incapaz.
A instituição educacional deve ter a inclusão social como seu princípio fundamental. E isso significa ensino para todos e não apenas para os que podem render boas notas à escola. Isso é cruel e desumano. Felizmente, a máscara parece estar caindo. Tomara os pais estejam mais atentos a isso.


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