16 de Dezembro de 2018


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29/05/2009
Claudia Perrotta
Filme: O leitor

Direção: Stephen Daldry

Baseado no romance de Bernhard Schlink (Record: 2009), o filme narra o intenso envolvimento amoroso entre uma mulher mais velha, Hannah (Kate Winslet), e o adolescente Michael (David Kross), 15 anos.Trata-se de obra belíssima, que aborda o nazismo, com seus dilemas morais e éticos. Fala de culpa, de reparação, do quanto somos ou não capazes de perdoar.
Mas o que queremos destacar aqui é outro aspecto, ou talvez a via pela qual alguma reparação se tornou possível para o casal de amantes. Na ocasião em que mantinham um caso amoroso, quando se encontravam, Hannah propunha a Michael que lesse para ela: Homero, Tolstoi, Dickens, Goethe. Vamos nos dando conta no decorrer da história, assim como o adolescente, de que ela não sabia ler e nem escrever, algo que lhe causava muito constrangimento e vergonha. O encantamento de Hannah diante do jovem leitor, certamente, não se dava, apenas, pela riqueza das obras, pela identificação com os dramas vividos pelas personagens. O que fascinava Hannah era a desenvoltura com que Michael lia, sua capacidade de dar vida às palavras escritas, variando as entonações, as vozes, procurando assim ambientar as histórias, recriando cada cenário e apresentando à sua ouvinte atenta todo um universo de sentimentos e tramas.
E foi a memória do que viveu com o menino, que era como ela chamava Michael, que, sete anos depois, levou Hannah, presa como criminosa do regime nazista, a finalmente arriscar-se a aprender a ler e escrever. A beleza da história reside no fato de esse aprendizado ocorrer com a ajuda de Michael: mesmo indignado e decepcionado com o passado da amante, sobre o qual tomou conhecimento muito depois de Hannah ter desaparecido sem deixar vestígios, ele lhe enviava gravações com a leitura das obras literárias que embalavam os encontros dos dois. Hannah, então, procurou os livros na biblioteca da cadeia e foi decifrando os textos com a ajuda da voz de Michael. Assim, tornou-se leitora e arriscou a escrever cartas ao “menino”, sempre pedindo uma resposta, um reconhecimento, algo que talvez a redimisse e lhe desse algum lugar no mundo dos homens.
É mesmo um filme obrigatório, em particular para os profissionais envolvidos com a linguagem escrita. Fica evidente a importância dos vínculos amorosos, da afetividade como motor desse aprendizado. Outros autores já trataram do tema. Vale a pena conferir também “Balzac e a Costureirinha Chinesa”, filme de Dai Sijie, baseado na autobiografia do diretor, e o livro: “O barão nas árvores”, de Ítalo Calvino (Companhia das Letras).

Para entender mais sobre a leitura partilhada clique aqui.


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