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13/05/2010
Lucia Masini
Nem gibi, nem jornal, o que o Estadinho é?

Há cerca de um mês, o jornal O Estado de São Paulo está com o visual renovado. Nas semanas que antecederam a mudança, houve constante explicação aos leitores sobre cada uma das modificações. Tudo em prol de facilitar a vida do leitor: uma fonte mais agradável, uma diagramação mais organizada da primeira página, colunas mais destacadas, maior quantidade de fotos e infoimagens. Além disso, um maior número de reportagens e artigos escritos por jornalistas de peso. O Estadão está, como apregoa em sua publicidade, investindo muito na construção de conhecimento do seu público. Não quer apenas um leitor mero consumidor de informação, quer alguém pró-ativo no processo de circulação do conhecimento.
De fato, o leitor adulto está sendo contemplado com estas mudanças. Com a nova estrutura, o já cativo ganhou visual mais agradável e, principalmente, um maior número de temas abordados, e o leitor recém-chegado encontrou condições para se tornar um leitor de jornal.
Sabemos que não basta saber ler para se tornar um leitor. Cada texto exige uma postura específica diante dele. Ser leitor de jornal implica, por exemplo, a constância na leitura. Entende o que um articulista escreve em sua coluna ou o que diz uma notícia quem acompanha o jornal e conhece sua política editorial, o tom dos articulistas em seus textos de opinião, o significado de uma manchete em composição com as fotos de capa, a necessidade de continuar a leitura do texto completo nas páginas internas, o melhor modo de manipular as suas enormes folhas e ler seus diferentes suplementos.
A renovação no Estadão não contemplou, no entanto, o leitor do futuro. O suplemento infantil também mudou. Foi, sem dúvida, a mudança mais radical de todo o jornal, mas, infelizmente, não se pode dizer que ela considera a criança um leitor de jornal em potencial. Isto por vários motivos.
Primeiro porque o Estadinho ganhou um formato de gibi, nas palavras dos idealizadores. E se é gibi, não é jornal. Antigos pequenos leitores estranharam a mudança para a qual nem foram informados como foram os leitores adultos. Diz a coordenadora de um colégio de classe média de São Paulo que seus alunos de Educação Infantil, acostumados a folhear e ler o suplemento todas as semanas, seja na escola com a professora, seja em casa com seus pais, não reconheceram naquele material seu jornal de sempre.
Por seu tamanho diminuto, o Estadinho traz agora uma matéria por página (ou parte dela, já que para a reportagem de capa, por exemplo, chega a necessitar de quatro delas), subestimando assim a capacidade das crianças em acompanharem uma diagramação semelhante a de um jornal real. Além disso, o conteúdo assemelha-se ao de um almanaque trazendo curiosidades, charadas, contos e receitas de trabalhos manuais. Não há notícias, nem artigos de opinião, gêneros característicos de um jornal. E o espaço destinado ao leitor é para desenhos ou para elaboração de histórias.
Se a ideia era simplificar, o que os idealizadores conseguiram foi justamente o contrário: a formação de leitores de jornal pode ter sido adiada e, por que não dizer, dificultada, com esta nova proposta. Nem gibi, nem jornal, o Estadinho perdeu suas características iniciais que, de fato, levavam o leitor mirim a se aproximar e compreender o que compõe um jornal.
E você, leitor ou não do Estadão, queremos saber sua opinião. Procure ver como era o suplemento infantil e como ele está agora e escreva-nos no Fale Conosco.


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