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28/05/2012
Lucia Masini
Musical: Tim Maia – Vale Tudo

Autor e roteirista: Nelson Motta/ Direção: João Fonseca

Em cartaz, na cidade de São Paulo, o musical Tim Maia. Maravilhoso e também revelador para quem apenas conhecia o lado profissional de Tim.
Nascido Sebastião, por muito tempo foi Tião, Tião marmiteiro, apelido que odiava, mas que, quando proferido por alguém, o desafiava a fazer coisas que parecia decidido não realizar. Desbocado desde cedo, era sempre com um "tião marmiteiro é a p.q.p." que o menino gordo e aparentemente tímido enchia-se de coragem para agir. Foi numa dessas situações que conheceu Babulina, negão fera do pedaço, com quem pretendia partilhar o apelido. A música foi o ponto em comum dos Babulinas, apelido depois abandonado por ambos: de um lado, Tim, e de outro, Jorge Ben, nosso atual Jorge Benjor.
A infância de Tião, vivida na Tijuca, foi cercada de amigos que, aos poucos, se revelaram grandes cantores: além de Jorge Ben, Roberto e Erasmo Carlos. Sem conseguir deslanchar na carreira, apesar de suas músicas fazerem sucesso na voz de outros cantores, Tim se muda para os EUA e lá entra em contato com o soul e as drogas. Depois de ser preso por seis meses, por porte de drogas e furto de carro, Tim é deportado para o Brasil.
Sem dinheiro, sem casa e sem amores, certo dia, Tim, morando de favor na casa de um amigo, criou Azul da Cor do Mar, uma espécie de desabafo de sua vida:

"ah...se o mundo inteiro me pudesse ouvir
tenho muito pra contar
dizer que aprendi...
que na vida a gente tem que entender
que um nasce pra sofrer
enquanto o outro ri...."

Com Azul da Cor do Mar e Primavera, Tim caiu nas graças do povo e seu sucesso não parou mais de crescer.
É interessante constatar, no decorrer do musical, que a inspiração para suas músicas vem de momentos específicos de sua vida, alguns divertidos, outros bem dolorosos. Vamos, aos poucos, sendo contemplados com os contextos inspiradores das músicas que tanto cantamos e cabe ressaltar o quanto Tim soube fazer uso da palavra para se expressar e elaborar sentimentos. É impressionante sua capacidade para compor letras que caíssem no gosto popular.
Intensidade é o que melhor caracteriza Tim Maia. Intensidade na voz, na obsessão pela perfeição musical (ainda que não soubesse ler partituras), no modo de se alimentar e ganhar peso (chegou a pesar 140k), no modo de usar drogas sem parar.
Tim morreu cedo, consumido por sua vida intensamente desregrada.
O musical acaba mas a plateia não se cansa de aplaudir e um único desejo me vem à cabeça: vou pedir pra você voltar.

Não deixe também de conferir a biografia do cantor: "Vale Tudo: o som e a fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, Editora Objetiva.




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