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17/09/2009
Claudia Perrotta
Livro: Histórias que os jornais não contam

Moacyr Scliar – Agir, 2009

Vencedor do prêmio Jabuti/2009, autor de vários livros, como o romance A mulher que escreveu a Bíblia (1999), as crônicas O imaginário cotidiano e Um sonho no caroço do abacate, este dirigido a jovens leitores, Moacyr Scliar acaba de chegar às livrarias com Histórias que os jornais não contam, reunião das crônicas que vem publicando em sua coluna semanal no jornal Folha de S. Paulo.
Histórias que os jornais não contam? Como assim?, pode perguntar um leitor desavisado, que ainda não tenha tido a feliz ideia de folhear o caderno Cotidiano da Folha, sempre às segundas-feiras. Pois elas estão logo ali, na segunda página. E invariavelmente são introduzidas com notícias de jornal, algumas bem triviais, que não recebem de nós mais do que uma passada de olhos, como esta aqui: “Um comerciante foi detido pela Polícia Militar Rodoviária após dirigir na contramão da Rodovia dos Imigrantes por 1km. Segundo a polícia, ele parecia embriagado”. Outras pra lá de inusitadas: “British Airways se desculpa por colocar cadáver na primeira classe”. E há ainda aquelas que despertam nossa curiosidade: “Se você é daqueles que nunca encontra as palavras certas para terminar um relacionamento, saiba que existe um site com dicas para romper. Há cartas em estilo formal ou poético para rompimento por escrito”. Ou: “A Polícia Federal apreendeu 250kg de cabelos que entraram no Brasil ilegalmente em um hotel em Curitiba.” Enfim, há muitos exemplos, são mais de 50 crônicas compostas a partir dessas notícias.
Isso mesmo: “atrás de muitas notícias, ou nas entrelinhas”, conta o autor, “descobri que há uma história esperando para ser contada, história essa que pode ser extremamente reveladora da condição humana”. Vejamos: o homem embriagado trafegando na contramão da Imigrantes transforma-se em personagem de carne e osso, e, inconformado, vai vendo inúmeros motoristas imprudentes passarem por ele na contramão... tudo é mesmo uma questão de ponto-de-vista, não só para os possíveis embriagados: “Ele estava certo, e continuaria em seu rumo, mesmo que todos os outros fizessem o contrário(...). Afinal, Galileu Galilei tinha sido condenado pela Inquisição por dizer que a Terra girava em torno do Sol, quando todos afirmavam o contrário.”
Já no caso do cadáver no avião, temos, pelas mãos de Scliar, a história vivida pelo passageiro ao lado: um homem que tinha como sonho viajar de primeira classe, e justamente quando consegue realizá-lo, tem uma companheira inusitada na poltrona ao lado...
O humor é mesmo uma marca registrada do autor: imagine o que aconteceu com o rapaz que decidiu utilizar os textos do site com dicas para romper um relacionamento amoroso? Já li isso em algum lugar é o título da crônica...
Scliar propõe um jogo a seus leitores; ele brinca com duas linguagens diferentes, passeia pelos gêneros que circulam na esfera jornalística e os transforma em literatura ficcional. Em suas palavras, recupera “histórias que esqueceram de acontecer antes que se percam na imensa geléia geral composta pelos nossos sonhos, nossas fantasias, nossas ilusões”. É mesmo “um convite pra ingressar no inesquecível território do imaginário” que aceitamos com prazer!
Para saber mais sobre gêneros discursivos, clique aqui


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