16 de Dezembro de 2018


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30/09/2010
Jason Gomes
Filme: Onde Vivem os Monstros

Spike Jonze

Homônimo do livro de Maurice Sendak, Onde Vivem os Monstros, de Spike Jonze, é daqueles filmes que podem enganar pela aparência da capa. Filme para o público infantil? Não!
Ao contrário do livro, um clássico da literatura infantil americana, este é um filme sobre o universo infantil para o público adulto.
Assim como o livro, o filme, que foi indicado ao Globo de Ouro, faz um mergulho na cabeça do menino Max e nos mostra o quão complexo pode ser o processo de amadurecimento e da elaboração de sofrimentos, conflitos e frustrações.
Max, uma criança muito criativa, questão que fica visível pelos desenhos espalhados em seu quarto, convive com uma constante frustração: a indisponibilidade de sua mãe para atender as suas solicitações de atenção. Ela está constantemente ocupada com questões do trabalho. A irmã adolescente está sempre, e apenas, disponível para suas amigas. Max lida com isso sendo excessivo em birras e malcriações, uma forma infantil de forçar a barra até que seja atendido.
Em um dia que sua mãe está com o namorado em casa, Max, visivelmente enciumado, solicita sua atenção e, sem êxito, veste uma fantasia de lobo e resolve agir como se fosse o dono da casa, falando em tom agressivo e dando ordens à sua mãe. Ela, na tentativa de resolver o impasse, age de forma mais enérgica e o manda para seu quarto. Max acaba mordendo sua mãe e sai correndo de casa, entra no meio de uma mata e para próximo a um lago, chorando.
Nesse momento de total conflito interno, ele entra em um barco e, em uma longa viagem, foge para outro mundo. Um mundo onde só existem monstros. Cada um é dotado de uma característica da personalidade de Max:
O carente Alexander; a agressiva Judith; o criativo e carinhoso Ira; o Touro melancólico. o sempre disponível e companheiro, Douglas; KW, talvez o que representa o único sentimento externo à Max, o materno; e o impulsivo Carol, o monstro mais parecido com Max, justamente com quem o garoto se identifica.
Assim que Max chega ao mundo dos monstros, eles querem devorá-lo. O garoto se livra dizendo ser um rei com poderes mágicos que dominou os vikings. Maravilhados com o feito do garoto, as criaturas decidem que ele será o rei soberano delas. A primeira ordem do rei Max é fazer uma grande festa da bagunça!
Em um paralelo bastante denso com o mundo real, onde as relações se mostram frágeis e instáveis, belas paisagens dessa fantasia são rapidamente destruídas nas brincadeiras com os monstros. Brincadeiras que sempre acabam em conflito ou tristeza.
Como líder, o garoto tem de administrar esses conflitos do grupo, as frustrações e sentimentos sobre os quais ele não possui nenhum controle. Max começa então a perceber o quanto é difícil ter de cuidar do outro e como as coisas, muitas vezes, acontecem diferente do planejado.
Embora as ótimas soluções gráficas ,a bela trilha sonora e monstros bastante realistas (em nenhum momento, no filme, o espectador questiona a possibilidade de esses seres não existirem) sugiram um clima de leveza, o filme se mostra denso com alguns diálogos bastante complexos.
Onde vivem os monstros é um filme-metáfora, em que todas as situações vividas por Max nesse mundo fantástico possuem uma relação com o mundo real e uma razão para terem sido vivenciadas. Para os adultos, é uma ótima oportunidade de mergulhar na fantasia infantil e compreender melhor os conflitos, anseios, medos e dúvidas das crianças que estão em constante processo de amadurecimento.


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