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17/04/2012
Lucia Masini
Filme: O Artista

Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius


Em tempo de filmes 3D, com efeitos sonoros bombásticos, muita ação e, por vezes, pouco conteúdo, o filme O Artista, dirigido pelo francês Michel Hazanavicius, causa estranheza. Estranheza porque retrata a passagem do cinema mudo para o cinema sonoro, fazendo uso desta mesma estrutura: trata-se de um filme silencioso e em preto e branco. O público mais velho, saudoso dessa forma de narrativa, com cenas intercaladas pelo texto impresso numa tela preta, apenas acompanhada por um som instrumental, acomoda-se nas poltronas do cinema e deleita-se com a história desde o princípio. Já o público mais jovem, acostumado a buscar inúmeras informações de diferentes ordens numa só cena, agita-se um pouco mais nas cadeiras, como que procurando entender o que este filme exigiria deles. Aos poucos, vemos todos os espectadores em sintonia com a trama e, o que é muito legal de observar, divertindo-se com algo tão diferente dos enredos contemporâneos.
Em cena, George Valentin, interpretado por Jean Dujardin, é um ator de sucesso do cinema mudo. Seus trejeitos, olhares, expressões faciais são tão precisos que muitas vezes tornam o texto de suas falas mera comprovação do que o espectador já previa. Tudo caminha perfeitamente na sua vida até o dia em que descobre que a indústria cinematográfica namora a sonoridade do mundo para trazê-la às telas. Sua resistência a entrar nesse universo cheio de sons acarreta-lhe alguns sofrimentos: perde a fama, a família, os bens e um amor que mal iniciara: é que a eleita, Peppy, uma jovem atriz a quem ajudou no princípio da carreira, torna-se a grande estrela dos primeiros filmes sonoros de Hollywood e a vida os afasta.
A angústia que Valentim demonstra ao longo do filme passa, sem dúvida, por sua resistência a aceitar os novos tempos, mas aos poucos ganha novos contornos. Sua indignação diante da total aceitação de público e artistas ao mundo sonoro nas telas do cinema vai cedendo espaço a uma dúvida quanto a sua capacidade de pertencer a esse novo mundo. Teria ele condições de ser tão bom quanto fora no cinema mudo? Teria ele lugar nesse mundo em que a oralidade passara a ser o aspecto principal das relações? No único momento em que sua voz é audível no filme, Valentin revela seu medo a Peppy: “Estou ultrapassado. Ninguém quer me ver falar.” Peppy pede a ele que acredite nela e revela-se, então, uma importante parceira nesse seu momento de transformação. Aliás, uma parceira que jamais o abandonou, entendendo seu silêncio, testemunhando a sua dor e amparando-o quando necessário, ainda que de modo invisível.
Se o filme desejava despretensiosamente falar dos primórdios do cinema sonoro, alcançou muito mais. Falou de amor e de amizade. Falou de compreensão, gratidão e solidariedade, de um modo simples que tocou a todos. Não foi surpresa ganhar o Oscar 2012. Surpresa mesmo foi a da garota que, ao acender das luzes da sala de projeção, levantou-se da poltrona dizendo em alto e bom som: “Ainda bem que eu não sabia que era assim, mudo e em preto e branco, porque eu não viria... E não é que eu gostei? Foi muito bom ter vindo.”
Pois é, o filme mostrou que vale a pena viver experiências e ter com quem contar na sua travessia.

Se você não viu, fique ligado: O Artista, em junho, nas locadoras.


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