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19/08/2010
Lucia Masini
Filme: Cartas para Julieta

direção Gary Winick


Mais uma comédia romântica de Gary Winick*, Cartas para Julieta (Letters to Juliet, 2010) fala obviamente de amor. Mas, num olhar mais atento, fala também de possibilidades de novas experiências de vida e, consequentemente, de processos de elaboração daquilo que pode ter sido refreado por algum motivo, daquilo que está fora de seu curso saudável de desenvolvimento.
Tudo começa quando Sophie (Amanda Seyfried) e Victor (Gael Garcia Bernal) resolvem fazer uma lua de mel antecipada. Para ela, um tempo juntos, longe do ambiente cotidiano, servirá para testar o amor antes do casamento. Para ele, a estadia na Itália, antes de ser uma viagem de amor, é uma grande oportunidade de aprofundar seus conhecimentos gastronômicos.
Muito cedo, Sophie percebe que ela e o noivo passam a maior parte do tempo da viagem separados: ele, interessado no circuito das vinhas e ela, no turismo local convencional. É desta forma que chega à casa de Julieta (a Capuleto, de Shakespeare), instalada numa simpática vila de Verona, e fica intrigada com uma tradição do local: inúmeras visitantes deixam pregadas, nos muros da casa, cartas para Julieta. Cartas que falam de amores vividos, possíveis, frustados ou impossíveis. Ao final do horário de visitação, uma mulher reúne todas ali deixadas e as leva para dentro de casa. O que será feito delas? É essa curiosidade que faz Sophie voltar ao local, no dia seguinte.
Motivada pelo desejo de escrever uma bela história, que faça o editor da revista para a qual trabalha entender que ela também pode ser bem mais que uma checadora de notícias, Sophie entra na casa para investigar o destino dado às cartas. Lá descobre que todas são respondidas pelas “secretárias de Julieta”: mulheres de diferentes idades que se valem de suas experiências de vida para escreverem para as apaixonadas do mundo inteiro que confiam seus romances àquela que morreu por amor.
Embora o filme já tenha começado há certo tempo, é nesse ponto que a história parece realmente ganhar corpo. Convidada a ser mais uma das secretárias, especialmente por ser nativa da língua inglesa, Sophie descobre, por acaso, uma carta deixada ali há cinquenta anos e decide respondê-la.
O que vemos a partir de então é um conjunto de possibilidades de encontros, de novos rumos para velhas histórias, que se apresentam aos diversos personagens de modo a desassossegar-lhes o presente já acostumado às dores e desejos reprimidos do passado.
Cartas para Julieta é mais um filme em que a escrita surge como elemento transformador, pois impulsiona, ajuda a elaborar, faz crescer. E seu final óbvio não deixa de trazer boas surpresas, ainda que isso pareça um paradoxo. Por isso, nada de relaxar a atenção nas cenas finais, sob o risco de perder talvez a mais bela parte do filme, fora as inigualáveis paisagens da Toscana.

* também diretor de Noivas em Guerra (2009), De repente 30 (2004), Um Jovem Sedutor (2002).


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