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18/02/2010
Claudia Perrotta
Filme: Amor sem escalas

Direção: Jason Reitman

Com várias indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar 2010, e tendo como diretor Jason Reitman, o mesmo do simpático Juno e do instigante Obrigado por fumar, traz no elenco George Clooney e Vera Farmiga.
Bem, talvez tudo isso já despertasse a curiosidade do grande público, mas certamente a tradução que o título ganhou em português, Amor sem escalas, deve ter afastado os menos avisados. Seria mais uma comédia romântica, do tipo que atrai mulheres com mais de 40, loucas para ver o símbolo sexual de Hollywood na telona?
Up in the air surpreende: trata com sensibilidade um tema bastante atual, embora mais presente nos EUA – a onda de desemprego em grandes empresas gerada pela crise econômica recente. A ideia é mesmo bem americana - terceirizar a função de demitir funcionários com anos e anos de dedicação ao trabalho. O especialista na tarefa inglória é encarnado justamente pelo galã Clooney. Ryan Bingham é apresentado como um homem sem conflitos, que realiza seu trabalho com eficiência, sem culpas ou pudores. Anos de experiência levaram-no a desenvolver um método eficiente e imbatível para dispensar pessoas, o qual divulga em palestras para inúmeros funcionários em busca de sucesso, outra moda bem americana. O didatismo desses eventos soa patético: Ryan pede aos presentes que se imaginem carregando uma mochila nas costas e nela coloquem primeiramente objetos de apego e depois pessoas próximas. Sugere então que tentem se livrar de cada um deles, mostrando o quanto é fácil, rápido e indolor viajar sem tanto peso...
Vínculos afetivos e objetos ganham assim o mesmo status, são igualmente dispensáveis depois de devidamente consumidos – algo que se busca contemporaneamente, como se fosse sinônimo de sucesso garantido. Basta lembrarmos os inúmeros anúncios da TV que fazem analogias entre carros modernos e mulheres atraentes. Somos todos presas fáceis desse universo de apelo para o consumo desenfreado...
Até que nos tornamos nós mesmos esses objetos descartáveis na vida das pessoas.
É nesse ponto que o filme ganha densidade e surpreende, frustrando nossas expectativas e nos fazendo pensar – tanto na mudança de metodologia para dispensar funcionários como de um final feliz para o belo par romântico. No primeiro caso entra em cena a garota recém-formada, representante da modernidade, que traz uma nova proposta para a empresa especializada em demitir: por que não realizar o trabalho por videoconferência? Por que continuar a gastar fortunas com viagens se hoje tudo pode ser feito à distância? Contraditoriamente, é o desprendido Ryan que resiste à proposta, não só porque isso significaria mudar seu esquema eficiente de viver, acumulando milhas e ganhando inúmeros cartões de fidelidade que lhe garantiam privilégios inacessíveis aos mortais, mas porque, no fundo, ele de alguma forma tem empatia com o sofrimento alheio. Essa coisa tão humana e tão fora de moda.
Quanto ao destino do “par romântico” - Ryan e sua alma gêmea, a “mulher moderna”, igualmente desprendida e irresistível Alex -, não vamos aqui, obviamente, contar o final.
Não espere o filme chegar às locadoras. O roteiro é excelente, os diálogos, inteligentes e primorosos e, claro, ainda temos George Clooney na telona...

Em tempo: já está em cartaz outro indicado ao Oscar: O Mensageiro. Também aqui há portadores de péssimas notícias: morte de combatentes americanos na guerra contra o Iraque. É um filme sensível, que, além de nos apresentar outro ponto de vista sobre o sofrimento pelo qual passam os familiares dos jovens que escolhem defender a pátria guerreando, questiona a forma protocolar como é dada a notícia. Os entes queridos não podem sequer serem abraçados pelos oficiais. Só que tanto os familiares como esses portadores de más notícias anseiam justamente por isso, acolhimento, empatia na dor, algo que possa fazê-los sentirem-se pertencendo, novamente, ao mundo dos homens. Direção de Oren Moverman, traz no elenco Woody Harrelson, que merece levar o prêmio de melhor atotr coadjuvante . Concorre também ao Oscar de melhor roteiro orignal. Confira!


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