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08/05/2012
Vera Vitagliano Teixeira
Exposição: Sentir Pra Ver

Quando o status quo é confrontado podemos nos deparar com projetos que inovam em suas intervenções. É o caso da Pinacoteca do Estado de São Paulo que inaugurou em 28/04/12 a exposição "Sentir Pra Ver". Tal mostra faz releituras das obras de arte brasileira dos séculos XIX e XX, a partir de maquetes e telas em relevo, que propiciam às pessoas cegas e com baixa visão entrar em contato e apreciar quadros que não teriam oportunidade de conhecer. Poemas, aromas e sons complementam essa experiência sensorial tão criativa.
Desde 2003, o museu mantém o Programa Educativo para Públicos Especiais que realiza visitas monitoradas para surdos e cadeirantes, entre outros públicos. O programa conta também com uma galeria de 12 esculturas que podem ser tocadas por deficientes visuais. Sem sombra de dúvida a acessibilidade é levada a sério na Pinacoteca. Entrar em contato com a arte proporciona prazer, abre o campo de conhecimento para outra forma de linguagem e potencializa o que se encontra num campo intermediário entre a realidade interna (psíquica) e a externa (compartilhada socialmente), como afirma Winnicott.
Para passar por essa experiência sensorial tão inusitada, proposta para pessoas com deficiência visual na Pinacoteca, é só solicitar uma venda para os olhos, andar por um piso tátil com alertas a cada obra de arte e se deixar levar por novas sensações. A fim de saber mais sobre a exposição entre no site www.pinacoteca.org.br.
Outras experiências sensoriais baseadas no princípio da acessibilidade também são encontradas em locais, como o projeto Jardim Sensorial do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Jardim dos Sentidos, do Jardim Botânico de São Paulo. Essas propostas apresentam um jardim composto por plantas aromáticas e do cotidiano que possibilitam às pessoas com deficiência visual tocá-las, sentir suas texturas e seus aromas. Iniciativas que também apostam e conseguem exercer a acessibilidade, de forma plena. Confira no site dessas instituições.
Em todas as mídias, hoje em dia, comenta-se sobre inclusão social, educacional, entre outras, e nas diversas maneiras de tornar o mundo acessível às pessoas que se encontram excluídas de alguma forma. Tomaremos como ponto de referência as pessoas com deficiência, aquelas que têm impedimentos sensoriais, físicos ou mentais e que, como consequência, apresentam diferentes formas de sentir e de apreender o mundo.
Os estudos e pesquisas nessa área apontam para a necessidade de se possibilitar o conhecimento do mundo e o desenvolvimento da linguagem (em especial no caso dos surdos) por meio de pistas sensoriais que estejam preservadas. Os projetos descritos acima se norteiam por esses princípios, valorizando as pistas táteis, auditivas e olfativas para o público com deficiência visual. Cada situação de impedimento sensorial ou físico ou mental requer uma intervenção adequada e específica a fim de garantir a acessibilidade a seus portadores.
Embora haja muita produção acadêmica sobre o assunto, muita legislação sobre os direitos dessas pessoas, sabemos que nem sempre as ações exercidas pelos órgãos públicos e governamentais são efetivas nesse campo. Assim, abre-se um espaço para a atuação de instituições privadas e ONG’s nos nichos em que o poder público não intervém, o que pode contribuir para a qualidade de vida e a inclusão efetiva desse grupo específico.


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