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25/05/2012
Jason Gomes
Escola e comunidade


Certo dia, deparei-me com uma foto de uma escola pública do estado de São Paulo. Como a imagem era apenas a de uma janela, tive, inicialmente, dúvidas quanto à identidade da instituição: escola ou casa de detenção?
Explico: como é possível ver, a janela basculante traz uma grade de proteção externa, que não é preventiva de acidentes com as pessoas, uma vez que o tipo de janela não permite a passagem de qualquer ser humano. Trata-se pois de uma proteção contra agressões vindas do exterior. Pode parecer estranho, mas de tão comum a grade externa às janelas já faz parte da arquitetura das escolas estaduais de São Paulo. São poucas as que não têm e em algumas delas a colocação é questão de tempo.
Diante de tal constatação são inevitáveis algumas perguntas: por que a escola precisa se proteger? Por que a comunidade depreda um bem comum?
Se olharmos novamente para a imagem podemos levantar algumas hipóteses. A existência das grades denuncia que a escola parece não fazer parte da comunidade. A forma como se apresenta é um flagrante do já tão conhecido e discutido: o que circula dentro da escola não sai e o que circula na comunidade não entra.
Como podemos pensar em um ensino que seja realmente apropriação do conhecimento do mundo com esta concepção de escola? Fica difícil... mas mais que isso, é quase impossível fazer com que a comunidade entenda que a escola é dela, que as crianças e adolescentes gostem daquilo que lhes pertence por direito. Mas pertence de fato?
Uma escola fechada para o entorno é uma instituição sem voz, que não desenvolve um diálogo franco entre ela e a comunidade. E aí, esta força uma maneira de ser percebida e escutada: depreda, anuncia com agressão que a escola em nada compõe com a comunidade.
Vale citar que há escolas pouco ou nada depredadas; em sua maioria são aquelas que abriram suas portas para a população, ainda que para atividades meramente recreativas. Como pensar numa abertura para a circulação de conhecimentos de ambos os lados?
Em um momento em que vemos diversos programas de saúde no ambiente escolar, principalmente enfocando a voz do professor, é salutar que essas questões estejam em pauta. Sem dúvida, é importante o cuidado vocal, no entanto, voz não pode ser entendida apenas como a produção orgânica de sons. Ela é também a possibilidade de construção conjunta de conhecimentos que permitam que escola e comunidade desenvolvam a noção de mútuo pertencimento.


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