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24/09/2009
Claudia Perrotta
Filme: Entre os muros da escola

Direção: Laurent Cantet

Baseado no livro homônimo de François Bégaudeau, que faz justamente o papel de professor de língua francesa na trama, Entre os muros retrata basicamente o cotidiano de uma escola do subúrbio de Paris que recebe um grupo de alunos bastante heterogêneo: africanos, árabes, asiáticos, europeus. Todos, porém, têm em comum a disposição para questionar as normas disciplinares, reagindo às muitas tentativas do professor para organizar a sala de aula, de modo que consiga trabalhar os conteúdos a que se propõe.
Como manter a disciplina na escola é tema constante no filme, que tem como ápice a discussão do conselho escolar sobre expulsar ou não um garoto envolvido em situação de agressão dentro da sala de aula. Ou seja: o tema é contemporâneo e universal!
Mas o que queremos destacar aqui é outro ponto, menos abordado nos debates que envolvem o filme. Trata-se da forma como François busca estabelecer uma interlocução com os alunos. Por exemplo: a linguagem das ruas que utilizam nunca é proibida de imediato, sem que o professor peça para que traduzam as gírias, negociando significados, explicitando as diferenças entre os vários registros: escrito/oral; coloquial/ formal e até língua de burguês/língua do povo. Já a capacidade ou arte de argumentar é exercitada a partir dos temas de interesse dos adolescentes – como o futebol africano - enquanto François vai fazendo pequenas intervenções, apontando adequações ou, ao contrário, necessidade de tornar os discursos mais eficientes para convencer os ouvintes. E há ainda uma discussão sobre o gênero autorretrato, tendo como leitura de apoio o livro Anne Frank (por sinal, também presente em outro filme do gênero, que em breve também será comentado nesta seção: Escritores da Liberdade). E é nesta produção que o professor de francês pode valorizar, em especial, a possibilidade de expressão de um dos alunos africanos, aquele que apresenta “limitações”. Antes de exigir que escrevesse como os outros, aceita as fotografias que ilustrariam seu trabalho, dentre elas, a de sua mãe, vestida com roupas africanas e de olhar intenso. Pena que essa forma de agir com os alunos não ganha a força necessária para trazer ainda mais a cultura de cada um deles para dentro dos muros da escola. Mas fica a esperança de alguma possibilidade de convivência, de troca afetiva, de diálogo, apesar das hierarquias sociais, econômicas, culturais: no final, alunos, professores e diretor da escola divertem-se no pátio, jogando futebol. O brincar livre e precário mostra-se, mais uma vez, promotor de integração, capaz de aplacar feridas e contribuir para a sustentação de conflitos.

Leia também: Entre os Muros da Escola, de François Bégaudeau, da Martins Editora Livraria


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