16 de Dezembro de 2018


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04/03/2010
Claudia Perrotta
El Secreto de Sus Ojos

Direção: Juan José Campanella

Ojos, olhos, olhares, obsessões, paixões. El Secreto de Sus Ojos, do argentino Juan José Campanella, já conhecido do público brasileiro pelo belíssimo O Filho da Noiva, traz aos espectadores uma nova, porque antiga, dimensão do tempo. “Você é lerdo”, diz Irene (Soledad Villamil) a Benjamin (Ricardo Darin). Com toda razão... Passaram-se 25 anos e esse oficial de justiça aposentado ainda se ocupa do crime bárbaro que mudou para sempre a vida de todos: do marido da jovem estuprada e morta, do assassino, dos investigadores.
A imagem que abre essa outra temporalidade é borrada, desfocada, como são nossas lembranças. Benjamin busca materializá-las em palavras, busca ser fiel ao que viveu, aos fatos do passado, à realidade, busca o lirismo da cena de despedida na plataforma do trem. Frustrado, rabisca o texto, rascunho do romance policial que se dedica a escrever, enquanto uma nova lembrança se impõe: o estupro, a impotência diante da loucura alheia, a dor da humilhação.
Olhares tudo revelam. E são suas pistas que Benjamin segue, sem descanso, desde o início. É pelo olhar que descobre quem é o autor do crime bárbaro, são os olhos de Irene, sua chefe no Departamento de Justiça, que o capturam para sempre, é a ambiguidade do olhar dessa bela mulher que o coloca em suspensão. É preciso coragem para viver assim, investigando os fatos, a realidade, sem deixar de banhá-la de afeto, de paixão. Ou, ainda, sem traçar limites rígidos entre eu-outro, passado-presente. Os personagens se misturam, suas histórias, motivações e contradições. Sim, tudo fica mais lento... são necessários 25 anos para que um novo olhar ganhe força, para que algo de uma experiência vivida nessa dimensão possa, de fato, gerar alguma compreensão, algum discernimento, levar a alguma transformação.
A trama que se esboça na tela de cinema nos remete a esse rico universo de pessoas reais, vivendo dramas reais, no justo espaço de tempo de que necessitamos para o encontro/desencontro com o outro. Muito diferente do que temos nos acostumado a chamar de realidade e seu ritmo frenético, em nossa pressa patética por tudo esclarecer, resolver, objetivar, em nossa indiferença pelo sofrimento alheio.
Campanella joga com elementos do suspense, trabalha com o cenário político dos anos 70 na Argentina, sem perder de vista a densidade de cada um dos personagens, e ainda com uma pitada de humor.
Não deixe de assistir, e torcer pelo Oscar de melhor filme estrangeiro.


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