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16/09/2010
Jason Gomes
Devaneios, divagações, ócio criativo....

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, no dia 09/09/2010, Contardo Calligaris comentou algumas pesquisas recentes que apontam para as divagações e o devaneio como fatores fundamentais e indispensáveis para o pensamento e mesmo para a criação. Calligaris mostra um exemplo das telinhas, o médico do seriado norte americano House, um especialista em casos de difícil diagnóstico, que, constantemente, chega a uma conclusão após algum momento de distração, alguma conversa despretensiosa ou durante algum imprevisto comum ao cotidiano de todos.
A sabedoria popular diz, há muito, que quando você não consegue produzir algo ou não consegue lembrar-se de uma informação importante, o melhor a fazer é se dedicar a algo completamente diferente, pensar em outra coisa, ouvir música, passear. Ou seja, tirar o foco do que precisa concluir, criar, rememorar.
Não é por menos que há diversas imagens que relacionam grandes ideias com situações absolutamente cotidianas. A mais clássica é a da maçã caindo na cabeça de Isaac Newton e..... PLIM gravidade!!
Mas, curiosamente, como aponta Calligaris, passamos por uma transformação sociocultural que culminou na supervalorização do "olhar focado do predador", que começou nos anos 60.
É aí que Calligaris chama atenção para uma questão muito cara a nós: o aumento do uso de metilfenidato para tratar o polêmico e tão divulgado transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças em idade escolar.
O ápice dos diagnósticos de TDAH e da medicalização de crianças acontece no mesmo momento da supervalorização da concentração, do foco, da atenção na sociedade ocidental.
É sabido que as crianças divagam, fantasiam. Clássicos da literatura infantil como Sítio do Pica Pau Amarelo, Alice no País das Maravilhas e mesmo produções cinematográficas atuais, como Onde vivem os monstros, Ponte para Terabithia, mostram, com clareza, a necessidade infantil de sonhar, como bem a apontou Calligaris, de olhos abertos.
Parece evidente que vivemos a supervalorização do foco a qualquer custo, mas estamos atentos para as implicações que essa questão traz? Devemos refletir mais sobre os casos das crianças e adolescentes que tomam medicamentos a base de metilfenidato para TDAH, como Ritalina e Concerta. Ainda que possam melhorar o comportamento disperso, não necessariamente se tornam pessoas autônomas, autoras na construção de seus conhecimentos, criativas, como é anunciado por quem vende a ilusão da eficácia dessas drogas. Tanto que basta parar o remédio para que o desempenho despenque novamente.
Então, foco para que mesmo?

Confira texto sobre o tema clicando aqui


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