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27/08/2009
Claudia Perrotta
Livro: Crônicas para ler na escola

Carlos Heitor Cony - Objetiva, 2009

Talvez o escritor destas “Crônicas para ler na escola” já dispense apresentações, mas é bom lembrar que se trata de um membro da Academia Brasileira de Letras, ganhador do Prêmio Jabuti, autor de vários romances, dentre eles Antes, o verão (1964) e Quase memória (1995). Tem também se dedicado a adaptações de clássicos da literatura e é colunista da Folha de S. Paulo. Todo esse percurso no universo das letras caracteriza Cony como um dos escritores brasileiros mais importantes da atualidade.
Com um olhar aguçado e crítico sobre fatos cotidianos, por vezes desesperançado e melancólico, Cony nos apresenta crônicas repletas de poesia. Fala de lembranças de sua infância, da morte do pai e convivência com o irmão, rememora personalidades da literatura, como Clarice Lispector, tudo nos remetendo ao passado de nosso país, principalmente Rio de Janeiro. Mas também escreve sobre o que tem nos marcado no presente, em especial a forma como nos relacionamos com as novas tecnologias de comunicação e as diferenças entre as gerações.
Na crônica “A vaca virtual”, compara: “Na minha infância, não havia Internet. Havia a geladeira, em cuja porta eu deixava recados para minha mãe (...) um simples beijo, com um coração desenhado a lápis de cor vermelha. Também recebia recados: (...) tem pastéis de queijo no forno, te amo etc. (...) Não se gastavam 13 horas com esse tipo de interação, embora o universo atingido fosse mínimo”. Também em “Vizinhos e internautas” mostra toda a contradição que vivemos atualmente entre excesso de comunicação com pessoas desconhecidas e incomunicabilidade com quem está próximo de nós: “Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta...”. E adverte: “Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa cara amarrada...”.
Em “Velho estojo para novos mil anos”, volta ao tema de forma magistral, narrando a relação afetiva que mantinha com seu estojo escolar, presente do pai para seu primeiro dia no Jardim da Infância: “... o cheiro do meu primeiro estojo escolar. E dentro dele, quietinhos, arrumadinhos, novinhos em folha, havia meia dúzia de lápis coloridos Johan Faber, uma lapiseira cromada, uma borracha bicolor...” . Mais adiante no texto, faz um “corte no tempo” para contar de sua experiência com outro estojo, dessa vez superdotado, com teclas e comandos, mas sem cheiro: o primeiro notebook.
Mas, em “O homem e o animal”, reconhece: a humanidade ficará devendo muito à Internet, pois “nunca se escreveu tanto, nunca se comunicou tanto (...). Gente que tinha horror à caneta e ao papel, que achava a letra, a frase, o pensamento expressões da caretice universal, começa a aderir ao sujeito, ao verbo e aos complementos, aceitando a linguagem literária como o diferencial básico entre o homem e o animal.”
E é essa aceitação da linguagem literária ou, bem mais que isso, a intensa relação de amor que viveu com a escrita que Cony narra em “O fogão e a chuva”, história belíssima, que surpreende o leitor e que nos instigou a escrever uma reflexão. Clique aqui para ler.
Vale a pena também conferir a apresentação do livro, feita pela educadora Marisa Lajolo.
Bem, são crônicas para ler, mas não só na escola!


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