15 de Dezembro de 2018


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Crianças com problemas de fala devem evitar situações de comunicação.

Mito

Quando as crianças começam a falar, passam por um período saudável de experimentação dos sons da nossa língua, e os adultos que as cercam costumam acolher seus ensaios nas tentativas de comunicação. Mas há crianças que, por problemas orgânicos específicos, possuem uma dificuldade maior nessa etapa de construção da linguagem. Isso assusta, levanta dúvidas sobre suas capacidades e traz sofrimento.
Na tentativa de poupá-las, e a si mesmos, de frustrações, muitos pais desencorajam seus filhos de participarem de situações cotidianas de comunicação. Evitam parquinhos, encontros familiares e chegam a adiar a entrada na escola. Evitam, sobretudo, falar com eles, buscando comunicarem-se, muitas vezes, por meios de gestos.
Essa bem intencionada atitude de proteger a criança na verdade só aumenta o problema, pois a impede de se sentir pertencente a uma comunidade, a dos falantes de uma língua. Perceber-se fora de situações discursivas ou ter suas falas sempre traduzidas por outras pessoas leva a criança a compreender que falar não é para si, não está sob seu domínio, e a desistência de tentar se expressar passa a ser uma constante. O resultado disso é uma criança caracterizada como tímida, arredia, pouco expressiva.
Isto não é saudável nem deve ser considerado como o destino final da vida daqueles que possuem questões orgânicas específicas que prejudicam a produção da fala.
Toda criança tem o direito de pertencer à comunidade de falantes que somos, e todos os adultos responsáveis têm o dever de garantir-lhes esse lugar, inserindo-as em situações discursivas, acolhendo e respondendo seus dizeres da forma como são capazes de falar, de modo que eles se sintam cada vez mais potentes para prosseguir na luta por uma melhor produção articulatória.

Vale a dica: Se você observa que seu filho tem uma dificuldade maior que a comum na articulação dos sons de nossa língua, consulte um fonoaudiólogo para orientações específicas, mas jamais retire seu filho de cena! Ao contrário, chame-o para as conversas de família, incentive-o a falar de si, demonstre interesse por aquilo que ele tem a dizer. E vá, aos poucos, auxiliando-o na sua forma de falar. Junto ao trabalho específico do fonoaudiólogo essa é a melhor atitude para ajudá-lo a superar suas dificuldades.

Ainda sobre o tema, confira na aba Profissional os textos: "O destino da dor", sobre as dificuldades de fala do escritor Carlos Heitor Cony, e "A gagueira na infância".


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