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27/08/2009
Como uma leitura diagonal pode distorcer o sentido de um texto - Lucia Masini
Carlinhos reencontrou a família depois de 24 anos! Então, Carlinhos não morreu!

Na página inicial dos principais portais de informação e entretenimento da web, em data recente, podia-se ler a manchete Carlinhos reencontrou a família depois de 24 anos! Para um leitor desavisado, por volta de quarenta anos de idade, e que tenha apenas passado os olhos na página, era grande a possibilidade de interpretar a informação como: Carlinhos não morreu, ele voltou! Mas isto seria um grande equívoco em relação ao fato anunciado.
A explicação para tal merece, antes, algumas contextualizações. Para os cidadãos brasileiros nascidos nos anos 60, Carlinhos é o nome do garoto que desapareceu, em 1973, vítima de um sequestro não solucionado até hoje, já que ele oficialmente ainda está desaparecido. Mas o Carlinhos da atualidade é outro. Humorista da TV, de origem humilde, foi o terceiro colocado do reality show da Record, A Fazenda. Reencontrou a família depois de vinte e quatro anos porque, após fugir de casa aos quatro anos de idade, passou a viver em orfanatos e educandários públicos. A visibilidade do programa e a revelação de sua infância levaram-no a reencontrar a família.
Uma leitura superficial de uma página de jornal impresso ou da web, que seja feita apenas das manchetes ou subtítulos, pode levar o leitor à compreensão equivocada de determinados fatos, porque ele tenderá a preencher o conteúdo com suas referências anteriores, apropriadas ou não àquele contexto. No caso acima citado, se o leitor não acompanhasse o desenrolar do reality show para saber da existência deste novo Carlinhos, a leitura exclusiva da manchete poderia remetê-lo sim ao Carlinhos de sua infância, numa tentativa de ver este caso solucionado.
Leituras diagonais, isto é, aquelas feitas apenas das manchetes e subtítulos da página de um jornal, revista, ou qualquer outro portador de texto, são muito frequentes. Há milhares de leitores assim. Por exemplo, os que leem apenas as primeiras páginas de jornal, penduradas nas bancas, posicionadas próximas aos inúmeros pontos de ônibus das cidades. Ao passar os olhos por elas, vão criando seus sentidos particulares para os fatos públicos cotidianos. Se isso, por um lado, mantém o cidadão minimamente informado, por outro, pode ser perigoso, pois desvia o leitor de uma interpretação mais crítica do texto e de um entendimento maior do fato em questão.
Não por isso as leituras diagonais devem ser abolidas, mas sim complementadas. De posse da informação que ela fornece, o leitor deve ir atrás do conteúdo que a manchete anuncia e de outras notícias e comentários que possam enriquecer seu conhecimento.


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