16 de Abril de 2021


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Breve contexto das Novas Tecnologias de Formação à Distância

Educação online: novo espaço de comunicação e socialização de informação e conhecimento
Claudia Perrotta



Este século vem sendo marcado pela transição e por transformações profundas, com impactos extensos nos processos educacionais e teorias pedagógicas. A criação e disseminação de novas tecnologias, com a multiplicação de redes interconectadas de computadores e fomento das mídias interativas, e consequente desenvolvimento de outras formas de transmissão de conteúdos, além dos livros, têm levado a novas experiências e formas de interação com o outro e, em especial, com o processo de ensino-aprendizagem e formação profissional (Azevedo, 2000; Silva, 2006; Maia e Mattar, 2008).
Habitamos, pois, um novo espaço de comunicação, organização e socialização de informação, conhecimento e educação. E nesse contexto, destaca-se uma determinada modalidade de ensino. Trata-se da Educação a Distância (EAD ou EaD) que acontece via Internet (Educação online ou, ainda, EaD on-line)- Nota 1.
Para Maia e Mattar (2008), embora haja controvérsia entre diversos autores que se dedicam ao tema, há alguns pontos comuns que permitem definir a EaD em termos amplos: “Modalidade de educação em que professores e alunos estão separados, planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de formação” (op. cit., p. 6).
Basicamente, podemos dizer então que ambientes virtuais de formação permitem que pessoas localizadas em espaços físicos diferentes compartilhem, construam e troquem informações e conhecimentos, através de canais e espaços de interação diversificados, sendo utilizados, para tanto, vários instrumentos ou ferramentas (interfaces) tecnológicas, tanto em situações síncronas como assíncronas.
Como fenômeno da cibercultura, a educação online trabalha com um novo modo de produção e lógica comunicacional - a informação digitalizada. A sociedade da informação demanda essa nova modalidade de educação, que permite flexibilidade e interatividade na aprendizagem, características próprias da Internet (Silva, 2006).

1.2 Espaço-tempo virtual

Obviamente, essa nova forma de construção de conhecimento traz inúmeros desafios, que vão desde acesso a equipamentos, uma adaptação em termos operacionais, com a necessidade de aprender a lidar com programas, até a assimilação de conceitos de uma nova área e apropriação da linguagem e gêneros discursivos que circulam nessa esfera de comunicação. Por isso, podemos dizer que estamos diante da construção de uma cultura comunicacional, com seu corolário exigente de novas condutas.
Há, porém, outro aspecto que merece reflexão: “No mundo da comunicação mediada por computador vive-se num outro espaço e num outro tempo, diverso do tempo e do espaço vividos no mundo da comunicação de oralidade primária e da cultura escrita” (Azevedo, 2000).
A sala de aula tradicional, com encontros em presença, é então substituída, e para investirmos em uma formação de qualidade, interagindo com formadores e colegas e com conteúdos das mais diversas áreas de aprendizagem, não necessitamos mais nos deslocar para um determinado lugar, em um horário pré-determinado.
Essa flexibilidade espacial e temporal que o computador conectado à Internet nos possibilita indica, porém, que precisamos aprender a nos movimentar, comunicar e a interagir nesse outro universo, ou, melhor dizendo, “em um espaço puramente relacional, cuja realidade material ou localização geográfica não tem a menor importância” (Azevedo, 2000).
Em termos de temporalidade, há que se distinguir o tempo real, utilizado em atividades presenciais, do tempo virtual, que independe da simultaneidade do tempo; ou seja, os interlocutores não necessitam estar presentes no mesmo horário para efetivar um diálogo – trata-se da comunicação assíncrona, em que devem ser baseadas a maior parte das atividades em EAD online (Maia e Mattar, 2008; Collins, informação oral).
De fato, há recursos da comunicação assíncrona própria da EAD online que têm similaridade com outros já bastante utilizados. No caso do correio eletrônico (e-mail), por exemplo, de imediato podemos relacioná-lo à correspondência via cartas. Porém, há características que o diferenciam enormemente desse tipo de comunicação: além de permitir a troca de mensagens acelerada, o email permite, principalmente, que uma mesma mensagem seja disseminada rapidamente para vários interlocutores, o que favorece, por exemplo, a formação de coletivos de aprendizagem.
Além disso, essa troca pode durar vários dias, como também acontece em fóruns temáticos. Ocorre, então, um entrelaçamento de mensagens e uma intensidade de intervenções, réplicas, enfim, de diálogo, que, antes, só seria possível se os envolvidos estivessem em um mesmo espaço físico, ou em um mesmo horário, falando ao telefone, por exemplo, ou ainda, nos dias de hoje, utilizando alguma ferramenta síncrona própria da TIC (tecnologia da informação e comunicação).
“Ambientes virtuais sustentados pelas novas tecnologias de informação e de comunicação combinam recursos síncronos e assíncronos. Em ambientes assim é possível dar início a uma conversa através da troca assíncrona de mensagens via e-mail e, posteriormente, continuá-la num encontro virtual "em tempo real" numa sala de chat, para, em seguida, concluí-la novamente através do e-mail. A temporalidade que é experimentada em tais ambientes é de natureza diversa daquela introduzida pela escrita e que permitiu que nossas sociedades se sentissem participantes de uma única História. Como também difere daquela vivida por sociedades orais, um tempo cíclico em que o passado não se marca por datas. É um tempo "esticado" por dentro da temporalidade histórica, uma sensação de contiguidade sem simultaneidade, um estar sempre "aqui" independente do "agora" de cada. Uma nova temporalidade que se precisa aprender a administrar e a agendar (Azevedo, 2000 - Muito além do jardim de infância - O desafio do preparo de alunos e professores on-line. http://www.revistaconecta.com/conectados/wilson_muito_alem.htm)”.

Vê-se, então, que estamos diante de um universo bastante complexo e que, portanto, requer um período de ambientação, até por que está prevista uma grande expansão dessa modalidade de ensino nos próximos anos. É nesse sentido que Azevedo (2000) faz uma analogia com nosso passado escolar, lembrando que fomos preparados para o ambiente educacional presencial – sala de aula, lousa, giz –, de modo que aprendemos a nele nos comportar e agir: “precisamos, então, de uma espécie de ‘pré-escola virtual’”...

1.3 Possibilidades e limitações no campo da educação

No que se refere à prática educativa, podemos dizer que grande parte dos educadores ainda tem pouca familiaridade com as ferramentas disponíveis em um contexto de formação à distância, o que pode levar a uma desmotivação e, consequentemente, a altos índices de evasão.
Há várias justificativas para esse índice, sendo que, talvez, a principal delas seja a dificuldade de envolvimento na dinâmica participativa proposta por recursos interativos. Portanto, além de uma dificuldade com o uso das ferramentas tecnológicas (infoexclusão), preconceito contra tecnologias digitais e desconfiança da ausência do corpo e do olho-no-olho, há também certa tendência de os participantes reproduzirem no ambiente virtual um modelo escolar de recepção passiva de conteúdos, ou seja, a pedagogia da transmissão – “cuja tarefa é assimilar e reproduzir, mas quase nunca problematizar, analisar, refletir, isto é, discutir” (Azevedo, 2000).
Nesse sentido, como destacam Maia e Mattar (2008), o movimento construtivista é combinante com a filosofia da educação online, já que concebe o conhecimento como processo contínuo de construção, criação, descoberta, e ressalta a importância da interação do sujeito com o ambiente, os objetos culturais e os outros seres humanos. Trata-se, pois, de uma concepção (ou modelo) educacional que privilegia a problematização, a autoria, a reflexão e o diálogo, incentivando o espírito colaborativo, a constituição de comunidades e/ou redes de conhecimento, o trabalho em conjunto a partir de modelos menos estruturados e hierarquizados de desenvolvimento.
Ainda que todos esses aspectos não sejam prerrogativas do computador, certamente nele encontram grandes possibilidades de potencialização (Silva, 2006).
Nesse sentido, é importante destacar que ainda existe na área uma polêmica que contrapõe autonomia e interação. Afinal, a educação online deve trabalhar no sentido de incentivar ritmos individuais de desenvolvimento ou utilizar as mídias interativas em favor do senso de comunidade?
No início da EaD (primeira geração), em meados do séc. XIX, caracterizado pelo ensino por correspondência, e mesmo depois, com o acréscimos de novas mídias, como TV, rádio, telefone, fitas de vídeo (segunda geração), de fato, o aprendizado acabava se tornando mais individualizado, com menos possibilidades de interação. As informações disponibilizadas nesse modelo partem de um centro de produção, diferindo bastante da concepção de sistema aberto, que permite participação e intervenção em favor da construção conjunta de conhecimentos (Silva, 2006).
Não há dúvidas de que os participantes de uma formação à distância podem se tornar mais independentes e autônomos, quando comparamos com o contexto presencial. Porém, a chamada terceira geração da EaD, ou educação online, acabou por ser favorecida, justamente, pelo desenvolvimento de tecnologias interativas, que possibilitam
“...ensinar face a face a distância (...), uma vez que a tecnologia permite reconstruir virtualmente a interação e a intersubjetividade que ocorrem na educação tradicional e presencial (...). As novas tecnologias geram, sem dúvida, maior interação de professores e alunos, e mesmo entre os próprios alunos, possibilitando justamente a combinação da flexibilidade da interação humana com a independência no tempo e no espaço”(Maia e Mattar, 2008, p.9).

1.4 Interação no universo da educação online

Interação é, pois, um termo caro nesse universo, e que remete diretamente à ideia de comunidade e de aprendizagem colaborativa.
De fato, sendo um processo humano e social, a educação acontece pela interação, e a tecnologia, neste caso, é apenas um meio, e não um fim. Ou seja: “mais do que uma rede de computadores, estamos diante de pessoas se relacionando, se entendendo e aprendendo em rede” (Azevedo, apud Maia e Mattar, 2008, p. 18).
Importante, porém, discernir brevemente interação de interatividade, ainda que muitos autores aproximem ambos os conceitos.
Almeida (2006, pp. 205-6) adverte que “interação diz respeito à ação recíproca com mútua influência nos elementos inter-relacionados (...) comunicação entre pessoas que convivem”; enquanto, interatividade refere-se à “capacidade de um sistema de comunicação ou equipamento de possibilitar interação”. Nessa perspectiva, a autora conclui: “a interatividade se apresenta como um potencial de propiciar a interação, mas não como um ato em si”.
Tendo em vista, então, a educação a distância que se baseia em meios convencionais de transmissão de informações, como rádio e TV, “a interatividade possibilita emitir informações de um único ponto e recebê-las em múltiplos lugares por inúmeras pessoas”. E nesse caso, embora favoreça a disseminação e democratização da formação continuada, “a interação caracteriza-se pela ação de ouvir, ver, ler as informações veiculadas”. Já a comunicação por meio da TIC rompe essa unidirecionalidade, potencializando “a comunicação multidirecional pela criação de redes formadas na diversidade de informações, recursos e intervenções” (op. cit.).
Voltando às teorias de aprendizagem e desenvolvimento que tratam da interação “como ação entre pessoas e objetos de conhecimento” (op. cit., pp. 208-9), a autora descreve várias possibilidades de interações com a TIC, que vão desde uma simples navegação aleatória até a busca por informações significativas, com um objetivo pré-estabelecido. Há, também, em um plano mais requintado, a possibilidade de o usuário navegar pelo hipertexto, por exemplo, “selecionar as informações que lhe são significativas e transformá-las por meio de novas representações, construindo conhecimento”. Ou ainda, “o usuário cria novas conexões (links), rearticulando as novas transformações”, podendo inclusive criar seus próprios hipertextos.
O desafio que se coloca na formulação dos ambientes virtuais de formação diz respeito, então, ao quanto de informação necessita ser disponibilizada, de modo a possibilitar que o usuário se sinta livre para também realizar suas explorações e construir nesse ambiente.
Tendo por base as teorias sociointeracionistas, outro aspecto merece destaque: “o conhecimento é construído em um processo social negociado, que envolve a mediação, a representação mental e a construção ativa da realidade, em um contexto histórico e cultural, evidenciando um sistema mais amplo de produção” (Almeida, 2006, p. 210). Ou seja: embora a apropriação de uma informação tenha um caráter individual, toda produção de conhecimento é social.
No caso dos ambientes virtuais, “o elemento fundamental é o diálogo que faz da interação o centro organizador da atividade” (op. cit.). É a partir dessa equação que se torna possível a construção coletiva de significados, a produção de conhecimentos, com respeito à diversidade e a autoria. Tudo isso, porém, leva à necessidade de um formador que “tem o papel de mediador do processo de aprendizagem dos alunos” (op.cit.).

1.5 O trabalho do mediador

“Se no ambiente virtual, turmas são comunidades de aprendizagem colaborativa, que papel estaria reservado ao professor [mediador/formador]?” - pergunta Azevedo (2000).
No site da Abed – Associação Brasileira de Educação a Distância (apud Maia e Mattar, 2008, p. 92), encontramos:
“Além do exigido de qualquer docente, quer presencial quer a distância, e dependendo dos meios adotados e usados no curso, este professor deve ser capaz de se comunicar bem através dos meios selecionados, funcionando mais como um facilitador da aprendizagem, orientador acadêmico e dinamizador da interação coletiva (no caso de cursos que se utilizem de meios que permitam tal interação)”.
Em síntese, o docente deve assumir novos papéis, que, no caso da educação online, vão desde escolher o material visual, animações e os sons que serão utilizados, definir letras, tamanhos, cores e fundos para integrar à tela de mensagens, o que implica no domínio de recursos multimídia, até administrar e organizar o ambiente, tendo em vista que deverá aprender a trabalhar sem que esteja ocupando o mesmo espaço-tempo de seus formandos (Maia e Mattar, 2008).
Podemos elencar as seguintes funções de um mediador:
• Organização do ambiente virtual, com definição de objetivos, metas de aprendizagem e calendário bem como explicitação de regras e expectativas;
• Acompanhamento do desenvolvimento dos formandos e coordenação do tempo para acesso ao material e realização de atividades;
• Promoção de contato inicial, por meio de mensagens de boas-vindas aos participantes, levando-os a se conhecerem e manifestarem suas ideias e impressões;
• Envio rápido e constante de feedback e devolutivas, mantendo um tom amigável e utilizando de humor, quando conveniente;
• Promoção de clima acolhedor, de cordialidade e respeito entre os participantes, contribuindo para a geração de um senso de comunidade;
• Elaboração de atividades de modo a incentivar pesquisas, instigar questões e avaliar respostas, coordenando discussões e sintetizando pontos principais em um debate;
• Responsabilidade por desenvolver clima intelectual e encorajar a construção de conhecimento;
• Avaliação de rendimento dos participantes, com esclarecimento dos critérios utilizados (Maia e Mattar, 2008).
Também Almeida (2008, p. 213) destaca:
“Na educação com suporte em ambientes virtuais, o papel do professor é o de gerir as situações facilitadoras da aprendizagem, articular diferentes pontos-de-vista, instigar o diálogo entre alunos e a produção conjunta, a busca de informações e a expressão do pensamento do aluno, orientando-o em suas produções e na recuperação e na análise dos registros e suas respectivas reformulações”.
Ainda segundo a autora, é fundamental que o professor/mediador/formador esteja atento e analise as estratégias utilizadas na busca de soluções para problemas, sempre intervindo de modo a desencadear reflexões, críticas, revisão de posicionamentos e reconstrução de conhecimento por parte dos formandos.
Silva (2006, p. 12) adverte, ainda, que o professor online necessita de formação continuada e específica para atender as especificidades dessa modalidade de ensino, pois não basta ter o computador conectado em alta velocidade de acesso; é necessário que ele aprenda a “disponibilizar múltiplas experimentações e expressões, além de montar conexões em rede que permitam múltiplas ocorrências”.
“Em vez de meramente transmitir, ele será um formulador de problemas, provocador de situações, arquiteto de percursos, mobilizador da experiência do conhecimento. Para isso contará com ferramentas e interfaces que compõem o ambiente virtual de aprendizagem, em que ocorrem interatividade e aprendizagem (fórum, chat, blog, texto coletivo, portfólio, midiateca e videoconferência no modelo “todos-todos”)” (op. cit.).
Dentro deste novo contexto e ambiente educacional há um ponto extremamente importante a destacar: o letramento digital deve ocorrer paralelamente à formação do tema foco do programa. Portanto, todo programa de formação que se utiliza das ferramentas de EAD necessita promover, concomitantemente, o letramento digital. Isto significa tanto orientar os formandos no uso das ferramentas disponibilizadas no ambiente virtual de formação, como também na apropriação dos diversos gêneros discursivos que circulam nessa esfera de atividade humana.

1.6 Especificidades de algumas ferramentas

Importante discorrer brevemente sobre algumas ferramentas que têm sido utilizadas em contextos online de educação. Segundo vários estudiosos do tema, algumas delas favorecem sobremaneira a interação entre os participantes e destes com o mediador, propiciando, justamente um clima de reflexão e construção coletiva de conhecimento.

Comunicação assíncrona

Nesse sentido, destacamos a comunicação assíncrona, que é realizada em tempos diferentes, não exigindo a participação simultânea (em tempo real) dos participantes; ou seja, estes não necessitam estar reunidos no mesmo local ou ao mesmo tempo, o que resulta em maior flexibilidade de interação e acompanhamento.
Como exemplo das ferramentas assíncronas mais tradicionais, temos:

 E -mail
A grande vantagem desta ferramenta é que cada um pode enviar ou receber suas mensagens e/ou arquivos de acordo com sua disponibilidade de tempo. É muito usado tanto para a comunicação individual, como também para a comunicação entre um grupo de pessoas através da criação de uma lista de correio eletrônico, contendo, por exemplo, o endereço eletrônico de todos os alunos de uma disciplina, permitindo que todos recebam as mensagens. O correio eletrônico pode ser utilizado, ainda, para notificar os participantes de que há uma nova mensagem em fóruns temáticos.

 Blog
Popularmente conhecido como diário virtual, trata-se de uma página de produção que pode ser ou não temática, sendo mais comum blogs que utilizam a escrita para os registros. Basicamente, o autor da página (também conhecido como blogueiro) publica periodicamente uma mensagem, que pode ser um texto informativo, uma notícia, um artigo de opinião, uma crônica, um relato de fatos cotidianos, ou qualquer outro gênero discursivo. Outros usuários (visitantes) podem então acessar um blog, ler os textos e comentá-los, fazendo sugestões, críticas, apreciações etc. Também é possível que um determinado grupo de trabalho construa um blog, e nele registre temas comuns, trocando ideias, impressões, num clima de cooperação.
Segundo a Wikipédia: “Os blogs educativos são páginas simples, que levam vantagem sobre as home pages pela facilidade de criação e publicação, já que atualmente não é necessário nenhum conhecimento em programação para criá-los e atualizá-los. Além disso, publicam ideias em tempo real e possibilitam a interação com qualquer pessoa do mundo que esteja conectada. Sua principal característica são os textos curtos que podem ser lidos e comentados, abrangendo uma infinidade de assuntos: diários, piadas, notícias, poesias, músicas, fotografias, enfim, tudo que a imaginação do autor permitir. Como num veloz arquivo eletrônico, ele permite a abordagem de diversos assuntos, aumentando a interatividade com os visitantes, que passam a constituir uma comunidade. Ampliam-se assim, as possibilidades de um diálogo com outras formas de saber entre as diferentes disciplinas do conhecimento escolar. Os blogs podem ajudar a construir redes sociais e redes de saberes. Na educação, os blogs são uma excelente ferramenta para publicação de ideias. Esses diários eletrônicos são uma ferramenta diferente, com potencial para reinventar o trabalho pedagógico” (grifos nossos).
Aqui, não há necessidade de um mediador ou coordenador de discussões, como ocorre em um fórum.

 Fórum
Ferramenta assíncrona por excelência, o fórum é basicamente um espaço em que todo o grupo de trabalho pode trocar ideias. Trata-se de um meio bastante prático em um ambiente online, pois permite que os participantes façam seus registros e acessem os registros uns dos outros. Além disso, é possível retomar esses registros em outros momentos do trabalho. Nesta ferramenta, a presença do mediador é fundamental.
Segundo Barbosa e Collins (cf. nota 6), em um fórum temático e/ou de conteúdo didático-pedagógico, cabe ao mediador ler todas as mensagens, comentá-las e ainda realizar sínteses das contribuições dos participantes, pontuar diferenças de posicionamentos, problematizar falas. Não se trata, portanto, de sempre fornecer respostas definitivas, fechando a discussão, mas sim de manter um clima produtivo de abertura – o mediador pode destacar, por exemplo, o posicionamento de um participante perguntando se os outros concordam ou não com ele e sugerindo que justifiquem suas opiniões. É uma forma de estimular o debate, gerando uma fértil ressonância dialógica.
Fundamental também que o mediador se preocupe em manter um tom de bom humor e proximidade com os participantes, incentivando, assim, o desenvolvimento de laços sociais, gerando sentimento de pertencimento a uma comunidade de aprendizagem, essencial em um ambiente online. Nesse sentido, é aconselhável também que o mediador publique mensagens sinalizando que está presente e acompanhando as discussões e reflexões.
Alguns cuidados são também aconselháveis: mencionar os nomes dos participantes, elogiar pertinência de contribuições, ser pessoal nas mensagens, expressar-se com clareza e sempre rever seus textos, para evitar erros ortográficos e/ou gramaticais. O mediador deve se fazer presente, ser constante, porém, não deve responder mensagens individualmente, evitando o diálogo um para um – trata-se de criar um senso de comunidade, um espaço-tempo de interação entre todos.


Comunicação síncrona

Há também a comunicação síncrona, que é realizada em tempo real, exigindo participação simultânea de todos os envolvidos. Como exemplo de ferramentas síncronas, podemos citar:

 Chat
Programa que permite a comunicação entre vários interlocutores, através de uma janela comum em que tudo o que é escrito por um participante pode ser lido imediatamente por todos os outros.

 Videoconferência
Uma videoconferência consiste em uma discussão em grupo ou pessoa-a-pessoa na qual os participantes estão em locais diferentes, mas podem ver e ouvir uns aos outros como se estivessem reunidos em um único local.

 Reunião online
Reuniões online baseadas em texto permitem que várias pessoas troquem mensagens em tempo real, utilizando um espaço comum, e podem ser usadas para várias finalidades, dentre elas, para promover discussões compartilhadas e cooperativas sobre determinados tópicos, definidos anteriormente e devidamente comunicados aos participantes.
Porém, segundo Brito, et.al. (cf. nota 6), trata-se de uma tarefa bastante complexa, que exige grande capacidade de gerenciamento e potencialidades adicionais para contornar problemas recorrentes, tais como “grande número de participantes para a reunião; dificuldade de gerência da reunião pelo mediador; dificuldade de conciliar as agendas dos participantes da reunião; falta de planejamento da reunião; falta de definição de papéis e responsabilidades necessários para a coordenação da reunião; falta de mecanismos para estabelecer consensos entre os participantes da reunião; falta de mecanismos que tratem a questão do quorum mínimo para as reuniões; falta de mecanismos para registro das interações ocorridas durante as reuniões, bem como para a geração automática de atas de reunião”.
Faz-se necessário, portanto, construir um sistema de gerenciamento de reuniões, com agentes que trabalhem de maneira cooperativa, considerando agentes humanos externos e agentes artificiais internos no sistema, que seriam “solucionadores de problemas”.

Em síntese

A dimensão tecnológica demanda a combinação de ferramentas de dois tipos de comunicação:

1. Comunicação síncrona e
2. Comunicação assíncrona.

Na dimensão do uso, é necessário contemplar:

1. Letramento digital concomitante;
2. Mediação colaborativa e estimuladora da autonomia e interdependência entre participantes da rede;
3. Interações orientadas que contemplem diferentes tempos com o mesmo tempo de acesso;
4. Produções individuais e coletivas em projetos de formação (textos, hipertextos, etc).

Notas:
Nota 1: Como advertem Maia e Mattar (2008, p. 8), é “importante distinguir a EaD que pode envolver qualquer tipo de tecnologia de comunicação para mediar a relação entre alunos, professores, conteúdo de instituições, da EaD on-line (uma de suas divisões), que é também denominada e-learning, virtual learning, networked learning ou web-based learning”.

Nota 2: Segundo ABED: “O Brasil teve, em 2006, 2,279 milhões de alunos à distância matriculados em vários tipos de cursos: no ensino credenciado, fazendo educação corporativa e em outros projetos nacionais e regionais (Sebrae, CIEE, Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho etc). Isso significa que um em cada oitenta brasileiros estudou por EAD no ano passado. O número de alunos no ensino credenciado a distância cresceu 54% em 2006, e já chegou a 778 mil pessoas”. http://www2.abed.org.br/noticia.asp?Noticia_ID=275.

Nota 3: “Os motivos mais frequentemente apontados para a evasão são a ausência de tempo e de dinheiro. Estudo exploratório indica que outros fatores pesam mais na evasão, tais como: estranhamento com o método, avaliação de que o método é muito puxado, ter achado o material de estudo e os recursos escassos”. (ibidem)

Nota 4: “Os paradigmas presenciais resistem na EAD. A maioria das instituições ainda utiliza o professor presencial (72%) e a reunião presencial (58%)”.(ibidem)

Nota 5: Este subitem foi formulado com base nas seguintes fontes: http://www.ricesu.com.br/colabora/n4/artigos/n_4/id02c.htm, http://pt.wikipedia.org/wiki/Blogs_educativos
http://www.inf.ufes.br/~tavares/dsba/artigos/ws_sbie00_gerenciador_reunioes.pdf (Um Sistema Multiagente para Gerência de Reuniões em Ambientes de Aprendizagem Cooperativa -
Brito, et al).
E ainda: Manual do Professor-Mediador, distribuído no curso online: Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade – convênio PUC-SP e PNUD, coordenado por Jacqueline Barbosa e Heloísa Collins.

Bibliografia consultada

ALMEIDA, M. E. B. Educação, ambientes virtuais e interatividade. In: Educação online. 2ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

AZEVEDO, W. Muito além do jardim da infância – o desafio do preparo de alunos e professores on-line. Conect@ - número 2 - setembro/2000 - http://www.revistaconecta.com/conectados/wilson_muito_alem.htm

BARBOSA, J. e COLLINS, H. Manual do Professor-Mediador. Distribuído no curso online: Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade – convênio PUC-SP e PNUD, 2006-2007.

BRITO, et al. Um Sistema Multiagente para Gerência de Reuniões em Ambientes de Aprendizagem Cooperativa. http://www.inf.ufes.br/~tavares/dsba/artigos/ws_sbie00_gerenciador_reunioes.pdf

MAIA, C. e MATTAR, J. ABC da EaD – A educação a distância hoje. São Paulo: Pearson, 2008.

SILVA, M.(org). Educação online. 2ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

Sites:
ABED - http://www2.abed.org.br/noticia.asp?Noticia_ID=275.

http://www.ricesu.com.br/colabora/n4/artigos/n_4/id02c.htm,

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blogs_educativos .


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