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29/10/2009
da equipe
Bem-vindo ao Clube: mesmo antes de saber ler e escrever, somos todos escritores e leitores em potencial

A Nextel, operadora de telefonia, tem veiculado na mídia uma campanha publicitária interessante. Várias pessoas, algumas famosas, vão narrando ao telespectador episódios peculiares de suas infâncias que poderiam levá-las a um fracasso na vida adulta. Porém, ao final, revelam-se bem sucedidas em suas carreiras e relacionamentos pessoais. E terminam entoando o bordão: “Está é minha vida, este é meu clube”.
Pois bem. Vamos comentar aqui um desses episódios, que tem como personagem a apresentadora de TV e escritora Fernanda Young.
Fernanda inicia sua narrativa biográfica dizendo: “Comecei a escrever antes mesmo de saber escrever. Eu tinha dislexia e criava meus poemas mentalmente. Páginas e páginas só na minha cabeça”.
Mas o que seria começar a escrever antes de aprender a fazê-lo? Seria algo assim tão inusitado? A resposta é óbvia: não! Isso que a escritora apresenta como sendo um atributo particular de sua infância, marca talvez de sua excentricidade, na verdade, caracteriza um momento do processo natural de construção da escrita. E todos nós, independente de raça, religião, classe social, passamos por ele, com maior ou menor intensidade.
Antes de entrar na escola e dar início ao aprendizado formal, as crianças têm contato com as mais diversas situações letradas em seu cotidiano: em casa, vendo os pais devorando o jornal, escutando a história lida antes de dormir; nas ruas, observando os outdoors, letreiros de ônibus, e em muitos outros lugares, por exemplo, nas igrejas, acompanhando os salmos da Bíblia.
Um verdadeiro bombardeio que afeta a todos, cada um de uma forma peculiar, e nos leva a criar hipóteses sobre a grafia das palavras, brincar misturando as letras aleatoriamente, rabiscar o papel imitando uma escrita fluente.
Observar a assinatura da mãe, inventar histórias a partir das ilustrações dos livros, brincar de escolinha, arriscar os primeiros toques no teclado e até mesmo compor poemas mentalmente são, portanto, experimentações fundamentais para nos constituirmos leitores e escritores, e mostram claramente que começamos a escrever muito antes de saber quantas letras têm o alfabeto!
Voltando à história de Fernanda, mais adiante, ela nos surpreende com uma afirmação categórica: “Eu tinha dislexia...”.
Como assim?, perguntamos então. Uma criança que, como vimos, caminhava saudavelmente em seu aprendizado da escrita, mostrando-se tão atenta ao universo das palavras, a ponto de escrever “páginas e páginas na cabeça”, era disléxica? Seria mesmo esse o caso de Fernanda? Como teria sido realizado o seu diagnóstico, em que momento de seu percurso escolar? Teria contribuído para que ela pintasse os cabelos de rosa e fosse expulsa da escola, como também relata na peça publicitária? Alguém que um dia foi considerado disléxico chegaria a se tornar um escritor tão produtivo, com 8 livros publicados, 3 filmes, peças de teatro e 5 séries de TV?
Todo cuidado é pouco: o termo dislexia está na moda, vive saindo nos jornais, nos rádios, Tom Cruise também tem, e há que diga que até Einstein era disléxico...; clube interessante, não? Para quem não sabe, dislexia diz respeito a dificuldades no aprendizado da escrita, a partir de um componente neurológico. Trata-se de uma patologia polêmica, que divide estudiosos de vários campos de conhecimento; alguns afirmam, inclusive, que dislexia não existe...
Para aprofundar o tema, clique aqui





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