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04/01/2013
Claudia Perrotta
As Aventuras de Pi

Direção: Ang Lee

Excelente pedida para as férias em Sampa, As Aventuras de Pi, ou, no original, Life of Pi, surpreende do início ao fim.
Dirigido pelo premiadíssimo Ang Lee, o filme se passa na Índia e conta a história de Pi Patel, filho do dono de um zoológico que decide fechar o negócio e transportar todos os animais de navio para vendê-los no Canadá, onde pretende morar com a família. Só que, durante a viagem, acontece um naufrágio, sendo o único sobrevivente “humano” o garoto Pi, que consegue escapar em um bote, tendo como companheiros uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala apelidado Richard Parker.
Mas esta breve narrativa nada conta da verdadeira história. Pi é um garoto inquieto, que busca incansavelmente um sentido para a existência, filiando-se, desde cedo, a várias religiões, sem se decidir por uma delas. O naufrágio é encarado pelo personagem como uma prova ou um aviso dos deuses, destino traçado na própria origem de seu nome – Pi é desafiado a resistir a inúmeros intempéries, brilhantemente traduzidos em imagens que encantam pela beleza e pelo risco sempre iminente. Peixes que voam, alimentam, mas machucam; baleia que salta formando ondas enormes e assustadoras; mar de medusas iluminando as águas escuras, ilha de suricatos com plantas carnívoras, além da ferocidade de Richard Parker, único animal sobrevivente que se tornou aliado de Pi na jornada de volta à terra firme e a quem necessitou domar com muita tenacidade e bravura, vencendo seus medos.
Mas também esta outra breve descrição nada conta da verdadeira história... Há uma história verdadeira, porém? Ou tudo seria um sonho de Pi? Sonho sim, alucinação ou delírio, não. Se há alguma verdade é que o garoto criou aquilo que encontrou – o naufrágio. Talvez os recursos para sobreviver a momentos tão terríveis, de solidão diante da hostilidade, força e beleza da natureza, tenham vindo justamente dessa capacidade de inventar, fabular. A fragilidade da zebra diante da ferocidade da hiena, a coragem do orangotango fêmea enfrentando-a, mas perdendo a luta, a maldade do tigre. Ou seriam esses animais apenas viajantes do navio naufragado? O budista com seus ideias e bondade, o cozinheiro truculento, a mãe amorosa e zelosa, mas que não conseguiu salvar seu filhote, e o próprio Pi, que, para sobreviver, precisou despertar a crueldade em si? Seria Richard Parker um duplo de si, face negada, mas enfim desvendada, depois perdida, e da qual se lembra com ternura? Qual história você prefere?
Assista a este maravilhoso filme e depois, responda!
Uma curiosidade: Moacyr Scliar, infelizmente já falecido, revelou que o best seller A vida de Pi, em que o filme se baseou, seria parcialmente um plágio de seu livro “Max e os Felinos”, que conta a história de um refugiado judeu que deixa a Alemanha e cruza o Atlântico em um bote, juntamente com um jaguar. Yann Martel, autor do livro, confirmou que, de fato, teve como inspiração o autor brasileiro...


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