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05/09/2010
Claudia Perrotta
Animação: Toy Story 3

Direção: Lee Unkrich

Já é tradição no cinema americano criar uma sequência de filmes a partir da primeira trama, em especial no caso do público infanto-juvenil - Rei Leão, Dálmatas, Tarzan..., e mais recentemente Piratas do Caribe, Homem de Ferro, A Era do Gelo, Shrek. Muitas vezes, o 2º e principalmente o 3º ou 4º acabam decepcionando – a história já não surpreende, as personagens perdem vitalidade, repetindo piadas e se tornando muito caricaturais. A fórmula se repete, e o espectador sai do cinema se sentindo uma presa fácil da indústria cinematográfica americana. Felizmente, esse não é o caso do belíssimo Toy Story 3.
Mais uma vez, os deliciosos bonecos que ganham vida longe dos humanos divertem e emocionam a todos, crianças, teens e pais.
Agora, Andy, o dono dos brinquedos, cresceu, abandonando nossos amiguinhos em uma caixa que raramente é aberta. Pior: ele vai para a universidade e precisa decidir o que fazer com eles – as opções não são nada alentadoras: sótão, lixão ou orfanato... O único a ser salvo desse destino cruel é o preferido cawboy Woody, que Andy decide levar com ele - uma bela forma de se lembrar para sempre de sua infância e do valor desses objetos, que tanto serviram como alimento para sua imaginação.
Andy decide então que os outros vão morar definitivamente no sótão, mas um mal entendido acaba fazendo com que sejam confinados em um saco e abandonados na calçada, à espera do caminhão de lixo. Como nos filmes anteriores, Woody consegue salvá-los, e a mãe do garoto acaba levando-os a um orfanato.
A partir daí, somos surpreendidos o tempo todo, e isso é que faz de Toy Story 3 um grande filme, arriscaríamos dizer que o melhor da série. Magoados com Andy, por acreditarem que ele havia mesmo decidido descartá-los para sempre, o astronauta Buzz Lightyear, Sr e Sra. Cabeça de Batata, Rex, o dinossauro, Porquinho, Slinky, o cachorrinho mola, o cavalo Bala no Alvo e a vaqueira Jessie acabam gostando da ideia de morar no orfanato - quem sabe assim voltariam a servir às criança? Certamente alguma delas se apegaria e os transformaria em objeto amado, e eles corresponderiam com a mesma fidelidade que por tanto tempo dedicaram ao antigo e ingrato dono...
Mas o sonho de voltar a brincar se torna um grande pesadelo – o setor em que são colocados no orfanato reúne os mais “pestinhas” – aqueles que não sabem brincar, só destruir! Ao final do dia, sujos e quebrados, descobrem que entraram em uma grande roubada, e que só podem sair dela com a ajuda de Woody, que não deixa de cumprir seu destino de herói, reafirmando valores tão pouco prestigiados nos dias de hoje - fidelidade, generosidade, persistência, compromisso com o outro.
Em meio a personagens hilários, como o metrossexual Ben, namoradinho da Barbie, um bebê a la Chucky, uma referência ao boneco assassino que chega mesmo a nos amedrontar, e o grande vilão – um urso de pelúcia cor-de-rosa que, ressentido por ter sido abandonado e substituído por sua dona, comanda o orfanato com mãos de ferro, despertando em seus subalternos os sentimentos mais mesquinhos e torpes – vamos sendo instigados a refletir sobre nossas relações com os outros, sobre como lidamos com perdas, lutos, escolhas e crescimento.
Fugindo de estereótipos, ainda que retrate a clássica disputa do bem contra o mal, Toy Story 3 emociona e faz com que a gente saia do cinema voltando a acreditar na importância da amizade, da memória e dos vínculos amorosos.
Qualidade Pixar. Não dá pra perder, ainda está nos cinemas!


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