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13/10/2011
Carolina P. Rahal*
Alfabetto - Autobiografia Escolar

Frei Betto


Todo mundo tem memória, algumas podem ser boas e outras ruins. E todos se lembram de alguma fase da escola que não gostaram, mas não podemos esquecer que foi ela que fez o nosso futuro acontecer.
O livro Alfabetto - Autobiografia Escolar, de Frei Betto, um escritor religioso dominicano brasileiro, é muito interessante, porque ele conta como foi a sua vida separando os capítulos em jardim da infância, grupo escolar, ginásio, colegial, universidade e escola da fé.
Para mim, a sua melhor história, intitulada Disco Voador, aconteceu no jardim de infância. Um homem chamado de Seu Romo convida as crianças a se sentar em torno de um “punhado de brasas” e as faz viajar e sonhar com um outro mundo, com novas pessoas. Ele fala que viajou num disco voador e conta como foi sua viagem, descreve o “novo” planeta que visitou, conta que é um lugar maravilhoso, que nem o céu é assim; os jardins são de hortelã, as pedras de biscoitos, os rios de suco de jabuticaba, as estradas de doce de leite, as casas de suspiro e a avenida principal de chocolate. E nessas horas desejamos ser crianças de novo, porque imaginamos; só nós sabemos a história de outros planetas, sem pensar cientificamente.
A parte intitulada A luz se apaga é a mais trágica, escrita com mais emoção e com as palavras mais lindas. Aconteceu na escola da fé. É quando Frei Beto sente que seu mundo desabou e precisa largar o convento. Ele diz que havia recebido “um dom, como terra fértil que se abre à semente". E continua: "Contrariando todas as minhas previsões adolescentes, Deus me conduzira por sendas inusitadas, cujos contornos adquiriam nitidez em minha inteligência. Súbito, vi o mosaico se desfazer. Uma a uma as peças se deslocavam e, estilhaçadas no chão, feriam meus pés (...). Vi-me só num teatro e, no palco, o diabo ria de minha perplexidade, enquanto apagava as luzes e, por fim, fechava a cortina. O espetáculo estava cancelado". Ele termina o capítulo dizendo: "Se era coisa do demônio, pela primeira vez ele me parecia sensato”.
O livro é maravilhoso, vale a pena viajar por uma história tão bem escrita.

* Carolina, ou Carol, tem 12 anos e estuda no Colégio S. Domingos.


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