16 de Dezembro de 2018


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10/09/2009
Lucia Masini e Claudia Perrotta
A escrita curando feridas

Entre tantas questões e discussões que o caso da menina de nove anos estuprada pelo padrasto suscitou, uma, sem dúvida, nos chama a atenção pela singeleza do ato.
Explicando como está a menina, após ter sido submetida à interrupção da gravidez, o médico diz:
"Ela foi internada pensando que era uma verminose, só teve conhecimento de que era uma gravidez dois dias antes do procedimento de aborto. Ela não conversa sobre isso, anda com uma boneca e um diário onde escreve tudo que acontece. Se você chega para conversar, ela pede para você escrever uma mensagem de apoio para ela".
Uma boneca e um diário. Um típico objeto do universo infantil e outro nem tanto, podendo pertencer a todos que vejam nele um sentido, independente da idade. Ao lançar mão de um diário, a menina de nove anos faz da escrita uma possibilidade de cura dessa ferida em carne viva. Mesmo sem ter dimensão do que lhe aconteceu, como afirma o médico, parece intuir o poder transformador que o escrever possui e quer que as pessoas ao redor sejam suas parceiras nesta viagem. Ela busca testemunhas para sua dor.
Pouco importa aqui a forma dos textos, ou se estão ou não bem acabados, até porque estamos falando de um diário, gênero que não exige esse cuidado todo – ortografia correta, frases bem construídas e lógicas. O que deve prevalecer é sim sua busca pela troca afetiva, pelo abraço caloroso através de palavras. Essa menina que esteve diante do horror precisa voltar a acreditar, voltar a ter esperança na raça humana, na generosidade, na solidariedade.


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