15 de Dezembro de 2018


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A decisão sobre a alta deve ser compartilhada entre os envolvidos no tratamento fonoaudiológico

Verdade

Como toda e qualquer relação terapêutica, também os vínculos construídos na clínica fonoaudiológica merecem atenção. E isso leva à necessidade de refletir sobre o final do tratamento.
O processo de alta precisa ser negociado entre os envolvidos – paciente e terapeuta, e quando se tratar de uma criança, também família, além de, por vezes, escola. Pode acontecer de os pais, por exemplo, considerarem que é hora de terminar o trabalho, estando ou não satisfeitos com o resultado, enquanto criança e terapeuta sentem que há ainda algo a ser vivido naquele espaço comum, compartilhado por ambos. Cabe então ao terapeuta convocar os pais para lhes esclarecer a necessidade de continuidade, ainda que o sintoma inicial na fala e/ou escrita já tenha sido suprimido.
Como já temos enfatizado aqui, a clínica fonoaudiológica não se restringe a treinos exaustivos para se alcançar o bem falar, ler, escrever. É sim banhada pela subjetividade e afeto de todos, além de trazer as marcas do dinamismo próprio da linguagem verbal. Como se trata de um conhecimento que não tem fim, novas demandas vão surgindo ao longo do tempo, conforme a criança vai sendo envolvida em situações discursivas mais complexas – textos que, para serem compreendidos, necessitam de maior capacidade de abstração; produções escritas que exigem mais repertório; situações que pedem uma fala mais precisa. Isso não significa em absoluto que o tratamento fonoaudiológico não alcance a alta. Mas sim que os critérios para considerar que o trabalho pode ser finalizado não se baseiam em aspectos puramente objetivos e funcionais.
Maior autonomia por parte do paciente, mostrar-se fortalecido apesar das dificuldades, não paralisar diante delas nem considerá-las intransponíveis, disposição para aprender e recuperação da esperança em suas capacidades de desenvolvimento são aspectos que indicam um bom andamento do processo fonoaudiológico, estando o paciente em condições de seguir adiante, sem um acompanhamento assíduo. E caso essa segurança reconquistada seja novamente abalada mais adiante, é importante que as portas do espaço fonoaudiológico permaneçam abertas, com o terapeuta sinalizando sempre ao paciente suas possibilidades de apropriação da linguagem verbal.

Vale a dica: Confiança é palavra-chave em um tratamento fonoaudiológico. Qualquer dúvida sobre o andamento do trabalho e momento de finalizá-lo necessita ser compartilhada com o terapeuta, que deve então se mostrar disponível para ouvir as preocupações tanto de seus pacientes como dos familiares, e a elas responder sempre a partir das experiências vividas no espaço terapêutico.


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